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A ESQUERDA DA GUERRA FRIA

desregulados e corrupção descarada pareciam relíquias de outra era. Em seu lugar, tanto corporações capitalistas quanto o Estado utilizavam uma burocracia gerencial racional e eficiente para administrar os seus negócios. A competição de mercado foi acrescida de um planejamento hierárquico. Assim como o governo mínimo, a economia laissez-faire era um anacronismo nos Estados Unidos da Guerra Fria. O fordismo substituía o liberalismo.

A burocratização dos negócios e também da política transformou a composição da classe dominante estadunidense. Apesar de cargos políticos e herança de fortunas ainda garantirem a filiação, novas rotas para a elite foram abertas. Os gerentes de enormes burocracias corporativas e estatais estavam agora entre os mais importantes tomadores de decisão da nação. Generais, almirantes e chefes de espionagem exerciam um poder imenso tanto em casa quanto no exterior.[20] Pela primeira vez, números significativos de acadêmicos também se encontraram admitidos nos círculos internos da elite estadunidense. Durante a Segunda Guerra Mundial, cientistas foram mobilizados para desenvolver novas tecnologias militares. Com a invenção da bomba atômica, esses intelectuais demonstraram enfaticamente sua importância vital para o estado moderno. Enquanto gerações mais antigas de cientistas foram aleatoriamente absorvidas na classe dominante, o governo começava agora a sistematicamente recrutar seus sucessores em posições de liderança. Graças ao seu papel de destaque no desenvolvimento da bomba atômica, von Neumann tornou-se um membro proeminente da liderança política e militar dos Estados Unidos. O caminho que ele trilhou, outros logo seguiriam. Seja no trabalho em armamento avançado, seja no ensino de seus alunos, esses favorecidos acadêmicos também administravam grandes organizações, contribuíam com planejamento militar, participavam de comitês investigativos e criavam a propaganda da

Guerra Fria. O intelectual na torre de marfim transformou-se no

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