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RICHARD BARBROOK
 

... uma pessoa não pode fingir ser neutra ou indiferente a respeito desse confronto mundial. Entre o Ocidente e 'nós mesmos' existe não uma identidade completa de interesses, mas uma partilha de alguns objetivos limitados, e a compreensão desses interesses nos requer a dependência do poder ocidental e também levar adiante uma variedade de propostas radicais.[11]

 

Por mais de uma década, os pensadores da Esquerda da Guerra Fria se dedicaram a desenvolver uma forma distintamente estadunidense de política progressista. Ao longo dos anos 1950, eles lamentavam que a administração Republicana de direita era um exemplo perfeito de muitos dos piores aspectos da cultura de sua nação: o filistinismo[NT1], o paroquialismo e a intolerância.[12] Assim como exacerbavam problemas sociais em casa, essas atitudes danificavam a posição dos Estados Unidos no exterior. Devido ao entrave nuclear na Europa, a frente mais importante da Guerra Fria era a batalha da propaganda. Cada lado dedicava gigantescos recursos à tarefa de convencer pessoas ao redor do mundo da virtude da sua causa: "operações psicológicas"[13] A segurança de longo prazo da esfera de influência estadunidense agora requeria mais do que a "força bruta" da proeminência militar e econômica. A elite dos Estados Unidos também deveria conquistar a supremacia na "força suave" da hegemonia ideológica e cultural.[14] Nesse conflito vital, o símbolo do estadunidense racista e de visão curta era um desastre de propaganda.[15] Ao contrário disso, era necessário criar uma imagem mais positiva e atraente para os Estados Unidos. Já que os conservadores eram incapazes de cumprir esta tarefa, intelectuais de esquerda agarraram a oportunidade de inventar novas ideologias para o império estadunidense. Ao assumirem esse papel crucial na Guerra Fria, eles poderiam demonstrar que o Partido Republicano

não era mais o mais efetivo oponente do stalinismo. Acima de tudo,

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