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social-democratas, stalinistas e trotskistas foram simbolizadas por interpretações incompatíveis do mesmo ideal político.[8]
Na Europa Ocidental, essas disputas ideológicas se davam dentro de grandes e poderosos movimentos trabalhistas. Nenhum grupo poderia monopolizar a análise teórica da Esquerda. Socialismo nem sempre significou stalinismo, e alguns comunistas eram fervorosos anti-stalinistas. A Esquerda estadunidense, ao contrário, era muito fraca para conseguir manter a sua própria integridade ideológica.[9] Como social-democratas e trotskistas tinham pouca influência política nos Estados Unidos, a elite desse país não via problemas em adotar a terminologia do seu inimigo da Guerra Fria. Socialismo era sinônimo de stalinismo e todos os comunistas eram stalinistas. No início da década de 1950, a Esquerda estadunidense encontrou- se despossuída ideologicamente. Se o totalitarismo russo era a única forma de socialismo, era quase impossível defender qualquer alternativa radical ao capitalismo nos Estados Unidos. Ainda pior, a linguagem política da Esquerda foi manchada pela retórica da propaganda stalinista. Literalmente, criticar o capitalismo soava anti-patriótico. Todas as formas de socialismo eram não-estadunidenses por natureza. Para os conservadores, a "ameaça vermelha" provia a tão esperada oportunidade para abafar os sindicatos e o ativismo político.[10] Inicialmente, seus opositores foram lançados à confusão. Enquanto alguns tinham como prioridade a defesa das liberdades civis em casa, a maioria estava convencida de que a primeira prioridade da Esquerda estadunidense seria provar suas credenciais anti-stalinistas no confronto da Guerra Fria. Já que o socialismo — em todas as suas interpretações — era um conceito estrangeiro perigoso, uma forma mais patriótica de política radical deveria ser desenvolvida. Durante o longo período do regime conservador na década de 1950, essa ambição se tornou o chamado de luta para um novo movimento de intelectuais progressivos: a Esquerda da Guerra Fria.