Página:Futuros Imaginarios.pdf/110
McLuhan resumiu sua posição teórica em um slogan famoso: "O meio é a mensagem".[12] Não havia importância naquilo falado e, sim, no maquinário com que aquilo era dito. Essa percepção significava que a história da humanidade era entendida como uma série de "quebras de fronteiras" entre diferentes tecnologias midiáticas.[13] McLuhan rejeitou crucialmente todas as explicações políticas, econômicas e culturais para o surgimento da modernidade. Ao contrário, a criação da imprensa foi a única responsável por essa profunda transformação social. Ao substituir a cultura oral tradicional, essa nova tecnologia estimulara os sentidos humanos de maneiras completamente novas. Em resposta a esse ambiente de mídia alterado, as pessoas eram forçadas a adotar as atitudes psicológicas da modernidade: individualismo, racionalidade e auto-disciplina. Assim como a especificidade de cada letra iluminada foi substituída por peças padrões de tipografia, a diversidade das comunidades medievais foi superada pela homogeneidade das sociedades industriais. Todos agora eram os mesmos: cidadãos iguais do estado-nação; empregados anônimos de grandes corporações; e consumidores idênticos no mercado.[14] O todo da sociedade foi reconstruído sob a imagem das novas tecnologias midiáticas. A oficina de impressão de Johann Gutenberg inexoravelmente levou à existência da fábrica de Henry Ford.
Já que a impressão criou a sociedade moderna, McLuhan estava convencido de que o surgimento da mídia eletrônica marcaria a próxima quebra de fronteira na história humana. A partir do telégrafo e do rádio na era vitoriana, esse novo paradigma tecnológico, aos poucos, derrubou definitivamente a hegemonia do mundo escrito. Durante os anos 1950, a difusão da televisão fez com que a mídia eletrônica finalmente superasse a prensa tipográfica como "extensão dominante do homem". Por mais importante que fosse, esse momento histórico não era o final do processo de transformação
social. Inspirado nas teorias cibernéticas de Wiener e Shannon,