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SUPREMACIA CIBERNÉTICA

Naturalmente, a IBM estava determinada a responder a essa interpretação desconcertante de sua própria propaganda futurista. Na Feira Mundial de 1964, o pavilhão da corporação enfatizou as possibilidades utópicas da computação. No entanto, apesar de seus melhores esforços, a IBM não poderia evitar completamente a ambigüidade inerente ao futuro imaginário da inteligência artificial. Essa ideologia fetichica só poderia comover a todos os setores da sociedade estadunidense se os computadores cumprissem os desejos mais profundos de ambos os lados do local de trabalho. Portanto, nas exposições em seu pavilhão, a IBM promoveu uma visão única do futuro imaginário, que combinou duas interpretações incompatíveis de inteligência artificial. De um lado, aos trabalhadores foi dito que todas as suas necessidades seriam satisfeitas por robôs conscientes: serviçais que nunca se cansavam, reclamavam ou questionavam ordens. Por outro lado, foi prometido aos capitalistas que suas fábricas e escritórios seriam gerenciados por máquinas pensantes: produtores que nunca relaxariam, expressariam opiniões ou fariam greves. Robby, o robô se tornou indistinguível do EPICAC XIV. Mesmo que apenas no campo ideológico, a IBM reconciliou as divisões de classe dos Estados Unidos dos anos 1960. No futuro imaginário, os trabalhadores não precisariam mais trabalhar e os empregadores não precisariam mais de empregados. Assim como os góticos inventaram as tradições da Inglaterra vitoriana, o futuro imaginário computadorizado dos Estados Unidos da Guerra Fria atuava como uma defesa ideológica contra a ruptura social desencadeada pela modernização perpétua. Depois de visitar o pavilhão da IBM na Feira Mundial de 1964, era muito fácil acreditar que todos ganhariam quando as máquinas adquirissem consciência.

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