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efetivamente combinados em alguma mente... que seja capaz de fertilizar um através do outro. Isso é o oposto da organização na qual todos os membros viajam por um caminho pré-determinado...[28]
Na Feira Mundial de 1964, essa possibilidade definitivamente não fazia parte do futuro imaginário da IBM. Muito mais do que querer produzir um número cada vez maior de máquinas mais eficientes a preços mais baratos, a corporação focara em aumentar continuamente as capacidades de seus computadores e assim preservar seu quase total monopólio sobre o mercado militar e corporativo de mainframes. Ao invés de máquinas do tamanho de uma sala que encolhiam em computadores pessoais, portáteis e, ocasionalmente, telefones celulares, a IBM estava convencida de que os computadores seriam sempre grandes e volumosos mainframes.[29] Se esse caminho de progresso tecnológico fosse extrapolado, a inteligência artificial certamente seria a resultante. Após duas décadas de melhorias, o número de conexões na máquina estava a ponto de ultrapassar o número de neurônios no cérebro. Como Turing e von Neumann previram, os computadores logo tornariam-se poderosos o suficiente para replicar todas as funções da consciência. Numa economia fetíchica, essa visão de computadores autogeridos inspirou-se na realidade social. Uma vez que as mercadorias já determinavam o destino de seus criadores, o inanimado deveria ser capaz de superar os vivos. A separação fordista entre concepção e execução estava prestes a atingir sua apoteose tecnológica. Essa profecia de superseres conscientes em substituição à humanidade foi a falha existencial no âmago do futuro imaginário da inteligência artificial. Sob o fordismo cibernético, as pessoas seriam formas de vida inferiores às máquinas. Ironicamente, a fantasia otimista dos gurus dos computadores dos anos 1960 confirmou o pesadelo pessimista dos escritores de ficção científica dos anos 1930: a inteligência artificial era o inimigo da humanidade.