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DA LINGOA PORTUGUEZA. tugueza, he a cópia de femelhantes adagios, tão cla- breves, e fentenciofos, que podem fer huns co- canones ou regras da vida Economica, Ethica e Politica, enfiuadas pela experiencia E referindo buns poucos, accrefcanta. E outros a milhares, com quem nenhuma comparação tem os dos Gregos, e Latinos, nem no pezo da doutrina, nem na ener- gia da fignificação como fe póde ver no feu Com- pilador Paulo Manucio. O P. D. RAPHAEL BLUTEAU. XLI Predicativos fahia fingellamente á luz; mas com as obras de muitos Autores teve fucceffivamente tão preciofos ornatos, que não tem que invejar ás mais elegantes lingoas da Europa o feu luzimento..... A' vifta deftes volumes [ do Vocabulario] aos quaes com o tempo fe poderão accrefcentar outros, que dirão certos Estrangeiros, os quaes publicavão pela Euro- pa, que a lingoa Portugueza he hum idioma po- bre, inculto barbaro, e cafualmente formado de va- rios fragmentos da lingoa Mourifca e Caftelhana? Confeffo que depois de ajuntar os materiaes para ef- ta obra, eu mefmo fiquei adinirado, e juntamente Vocabulario Portuguez e Latino, Prologo ao Lei- opprimido da multidão dos vocabulos, que achei nos tor Estrangeiro. Poderás dizer, Leitor Eftrangeiro, que com o Caf- telhano tem o idioma Portuguez muita analogia, e grande cadencia; mas a femelliança não he corrup- ção. As lingoas Portugueza e Caftellana, são duas irmaas, que tem alguma femelhança entre fi, como filhas da lingoa Latina; mas huma e outra logra a fua propria independencia e nobreza, porque nem do Portuguez fe deriva o Caftellano, nem do Caf telhano defcende o Portuguez. Primeiro que imperaffem nas Hefpanhas os Ro- manos, he certo, que as duas nações, a que cha- mamos Caftelhana e Portugucza, falla vão alguma lin- goa; fe a lingoa Phenicia ou Carthagineza,, fe ou- tra compofta deltas duas, ou mifturada com idiomas de Gregos, Gallos, e outros póvos adventicios, não o examino, nem tenho noticias fufficientes para de- cidir queftão tão intrincada, como efta. Só digo, que depois de entrarem os Romanos em Hefpanhia, Caftelhanos e Portuguezes mifturárão a lingoagem de feus novos Dominados com a que então fallavão; e affim cada huma deftas duas nações pelo feu mo- do alterou, adulterou, e corrompeo a lingoa Ro- mana ou Latina; porém com tão fenboril fidalguia, que nas palavras derivadas do Latim, nem o Cafte- Ihano ao Portuguez, nem o Portuguez ao Caftelha- no deve a nova fórma da fua locução. Na belleza, fidalguia, riqueza, e virtudes def- tas duas irmãas não queiras efpecular preferencias; ellas são tão bellas, que muito fe parecem com fua Mãi, a lingoa Latina, e até no que della fe differen- ção, tem graça Ellas são tão fidalgas, que com frafes altilocas pódem ennobrecer mechanicos affum- ptos; Ellas são tão ricas, que occupadas no com- mercio, introduzirão na Europa o ouro do Perú, e os diamantes da India. Finalmente são tão virtuo- fas, que com a prégação Apoftolica propagárão nas terras mais barbaras a Fé de Chrifto. Na amizade e união deftas duas irmãas não fallo. Em materias Epi- cas, e estilo culto andão tão unidas, que quafi fe identificão. Abi mefmo: Catalogo Alphabetico, Topographico, e Chronologico dos Autores Portuguezes. A lingoa Portugueza, como lingoa viva, fem- pre fe vai enriquecendo, e já he tão abundante e opulenta, que em todas as materias tem ricos ter- mos. Era antigamente a lingoa Portugueza tão po- bre, como forão todas as mais lingoas nos feus pri- cipios; fó nas folhas de alguns livros Hiftoricos ou Autores antigos e modernos. D. GREGORIO MAYA'NS I SISCA'R Origines de la lengua Española, num. 81. p. 59. El Portuguès, en el qual comprehendo el Gallego, confiderando aquel como principal, por- que tiene Libros, i Dominio aparte; i dejando ahora de difputar, qual viene de qual; el Portuguès digo, aunque es Dialecto diftinto del Caftellano; es tan con- forme a èl, que fi uno abre un Libro Portuguès fin faber que lo es, fuele fuceder leer algunas claufulas creyendo que es Caftellano. I affi fin mucha dili- gencia pudo componer Jorge de Montemayor aquel Soneto Caftellano, i Portuguès, que publicò en fu Cancionero, i dice affi. Amor con defamor.fe eftá pagando, O Dura paga pegada eftrañamente, Duro mal de fentir eftando ausente De mi que vivo en pena lamentando. mal, porquè te vàs manifeftando? Baftavate matarme ocultamente, Que en fé de tal amor, como prudente. Podiais, efta alma atormentando. Confiderar podia Amor de mi, Eftando en tanto mal que defefpero Que en firme fundamento eftè fundado, Ora Je efpante Amor en verme affi, Ora diga que paffo,ora que efpero Sofpiros, defamor, pena, cuidado. D. ANTONIO DE CAPMANY X DE MONTPALAU. Teatro Hiftorico-Critico de la Eloquencie Efpaño- la, Difcurf. Prelimin. pag. 86. Entre los Portuguefes el idioma vulgar reci- bió, acafo antes que en otra nacion, gravedad y harmonia: á lo menos la gala y efplendor de la lo- cucion de la mayor parte de fus cfcritores, fi no fe hubieffe afeado con là exâgeracion é hinchazon, de donde vino á contraer un caracter afiático el estilo nacional, hubiera fide inimitable en las demás len- guas vivas. A los defectos propios de la pompofa exprefion del pays fe añadieron los generales de la edad del mal gufto y corrupcion, que fueron comu- nes á todas las naciones européas, pues fe derramó y corrió por todas ellas, inficionando primeiro á unas y luego á otras.
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