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DA LINGOA PORTUGUEZA. Commento à Lafiada de Camões, cant. 1. eft. 33. p. 263. e fegg. Muchos hombres doctos confeffaron lo mucho que ella lengua Portuguefa] fe le llegava a la Latina. Entre ellos Francifco Tamara en el cap. 7. del lib. I. de los ufos de las naciones: penfan otros; que la Italiana es mas llegada. I verdaderamente nos acordamos aver leido en dos Autores Italianos (de los de eftima) que la nueftra fe llegava más que to das al Latin. De que creemos uno era Anibal Ca- ro en una epiftola, i el otro de todo punto fe nos olvida... En lo que toca a la dulçura, i gravedad, no ay eftraño que no confieffe ventaja a la [lengua ] Portuguefa fobre la Caftellana: ] i en lo primero fe lo confiellan aun mifmo los Caftellanos bien en- tendidos. El Maeftro Vicente Efpinel me dixo algu- nas veces, que era un encanto la lengua Portuguefa en la fuavidad del fonido. Lope da Vega en la def- cripcion de la Tapada, defpues de aver hecho can- tar dos Ninfas, una Italiana, otra Latina, dize de la Portuguefa que les fucedio defte modo: A cantando fue la Portugueja -Con celebrado aplaujo larga hiftoria, A quien por la dulcura que profeffa, Entrambas concedieron la victoria. no I effa dulçura confeffada a boca llena procede fi no de lograr las cinco partes de perfecion que ai diximos. Eftas cinco partes, que elle diz conftituem perfeita a lingoa Portugueza, são as que o Chantre Manoel Severim de Faria acima referido prova da- remfe fingularmente todas na noffa lingoa. Vem pois a fer, copia, pronunciação facil, brevidade, efcre- ver o que falla, propriedade para todos os estilos. Poremos fomente aquillo, que fe accrefcentou á con- firmação de Severim. En quanto a la cópia (afli continua) tiene [la lengua Portuguefa ] mucha de nombres i verbos para ufar dellos como lo piden las ocafiones: i en quanto a la pronunciacion facil, i fuave, es claro exemplo entre otros el no acabar las dicciones en confonantes, principalmente nn, i dd, i xx, i tt, i tener muchos min, que fon letras dulciffimas: i en quanto a la brevedad, porque no neceffita de circunloquios, para dezir quanto ha menefter, de que refulta, no ocuparfe en ella más tiempo hablan- do, o más papel efcriviendo, que con el Latin, diziendofe una mifma cofa, tal vez ella es más breve que el, como fe puede ver en la e. 53 del c. 2. [de Camões que fon ocho verfos, en los quales ay otros ocho de Virgilio enteros, fiendo los Lati- nos mayores que los Portuguefes... I en quanto a efcrivir como habla, i hablar, como efcrive, ello es cierto, o que fe aventaja a todas las lenguas, porque no ay ninguna que no tenga alguna diferen- cia en el modo de pronunciar al de efcrivir, fino la Portuguefa, que en ninguna manera difcrepa en efto i en quanto, finalmente, a la propriedad para to- dos estilos, cofa es effa que no fe halla con facili- dad en otra lengua, como en efta; porque para los amores, i otras occafiones de ternura, no ay lengua tan dulce i para lo heroyco, i horrido, no la ay más fonante, (cofa tan rara, que parece impoffible concordarfe efla contrariedad, i fe concuerda) de que refulta lo que fe vê patente en efte Poema [a Lufiada ]. ... porque adonde el Poeta [Cainoes] en- tra pelos affumptos belicos, parece una trompeta i por los amorofos parece una dulçayna.... Nueftro fentimiento acerca defto (affim con- adonde XXXI clue) es creer que la lengua Portuguefa (tengan to- das el lugar que merecen) fin fer inferior a nin- gun, excede a muchas, en lo dulce, i en lo grave; i en la fingular propriedad de muchas palabras, que no fe roçan con otra ninguna lengua, para exprimir lo que fignifican: ni aun con variedad, i elegancia de circunloquios. e 2560p O P. DOUTOR BENTO PEREIKA. H Ars Grammatica pro lingua Lufitana addifcenda, ad lectorem. Vis eadem, quae me ad aggrediendum prius opus [Profodiae] ctiam ad hoc pofterius impulit. Eo, quo femper exarfi, meae nationis amore dolebam vehementer quod cum omnes fere Europae nationes habuerint dictionaria fatis locupletia, fola natio Lu- fitana, quae nulli fiue literarum, fiue armorum exer- citiis fecunda eft, illorum penuria laboraret, proinde- que noftra lingua, quae fane vocabulorum opulentiffi- ma eft, non fine dedecore inops reputaretur. ALVARO FERREIRA DE VERA. 201 Breves louvores da lingoa Portugueza, com notaveis exemplos da muita femelhança, que tem com a lingoa Latina. Dirigido a Dom Manoel d Eça, &c. Em Lisboa, per Mathias Rodriguez. Anno de 1631. A DOM MANOEL D'EÇA. Affi como acertei no affumpto, que tomei em efcrever a Orthographia Portugueza, não errei na eleição, que fiz ci tomar tal protector, que me de- fendeffe. Sinto em mim novo alento para poder com outro trabalho, que fahirá a luz muito cedo: (trata da Origem da nobreza e armas defte Reino) e hora perco o temor a todas as más lingoas, por defender a Portugueza de algumas mal affeiçoadas. Dão estas por razão, ou porque a não tem, perguntão: Por- que a lingoa. Portugueza fe não toma das outras lin- goas com a facilidade, com que os Portuguezes to- mão as de outras nações? E fem ouvirem refpoíta, dizem elles mefmos: Por fer a lingoa mais greffei- ra, e mais remota. Aqui em filencio (para que me oução) darei a razão, inda que a alguns pareça pro- longada. O inventor das letras (quem quer que foi, que devia fer infpirado por Deos) confiderando bem quantas erão as differenças das vozes humanas, tan- tas figuras formou, pelas quacs poftas em ordein reprefentou as palavras, que queria. E affi não he cada huma letra fenão huma figura, que he retrato da voz humana: como declarei no cap. I da de- finição da Orthographia Portugueza. De maneira que as letras reprefentão as vozes, e as vozes os pen- famentos e conceitos d'alma. Mas pofto que as vo- zes fejão naturaes a todo homem em commum, al- gumas gentes tem certas vozes fuas proprias, que homens de outras nações nem com tormentos, que lhe dêm, as podem bem pronunciar, polas não te- rem em coftume. Pelo que dizia Quintiliano, que affi como os volteadores dobrão, e torcem os meinbros em certas fórmas, defde meninos, para depois fazerem folta- mente feu officio, que quando já foffem duros, não poderião fazer affi os meninos em quanto foflem tenros, fe havião de coftumar a pronunciar todas as letras e vozes, que algum tempo havião de ufar. Tal he a pronunciação das palavras, que efcievemos com, lh, que he pronunciação particular dos Heſpa- nhoes, que nem os Hebreos, Gregos, e Latinos a pc-