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gno do passado do Gun-Club, e não pode deixar de fazer estrondo no mundo!
—Bastante estrondo? perguntou um artilheiro enthusiasta.
—Muito estrondo, no verdadeiro sentido da palavra, respondeu Barbicane.
—Não interrompam! disseram muitas vozes.
—Peço-lhes, pois, caros collegas, accrescentou o presidente, que me dêem completa attenção.»
Um fremito percorreu a assembléa inteira. Barbicane, depois de, com gesto rapido, ter carregado o chapéu na cabeça, proseguiu no seu discurso com voz placida:
Não ha um só de vós, estimaveis collegas, que não tenha visto a Lua, ou que, pelo menos, não ouvisse fallar n'ella. E não vos admireis de que venha aqui fallar-vos do astro das noites. Talvez esteja para nós reservado sermos os Colombos d'esse mundo ignoto. Seja eu comprehendido, auxiliado com todo o poder de que os meus socios dispõem, e conduzi-los-hei á conquista d'esse novo mundo, cujo nome ha de vir juntar-se aos dos trinta e seis estados que compõem este grande paiz da União!
—Hurrah pela Lua! gritou, como um só homem, o Gun-Club inteiro.
—Muito se tem estudado ácerca da Lua, continuou Barbicane, a massa, a densidade, o peso, o volume, a constituição, os movimentos, a distancia emfim d'este astro, e o papel que elle desempenha no mundo solar estão perfeitamente determinados: ha mappas selenographicos[1] cuja perfeição é igual senão superior á dos mappas terrestres: pela photographia têem-se obtido do nosso satellite provas de belleza imcomparavel. Resumindo, sabemos ácerca da Lua tudo quanto as mathematicas, a astronomia, a geo-
- ↑ De σελήνη (seléne), palavra grega, que significa Lua.