João Ferreira de Almeida (1819)/Genesis/XLIV

CAPÍTULO 44: A Taça de Prata e a Intercessão de Judá

1. José deu ordem ao administrador de sua casa, dizendo: "Enche de mantimento os sacos destes homens, o quanto puderem carregar, e põe o dinheiro de cada um na boca do saco.

2. E a minha taça, a taça de prata, põe na boca do saco do mais novo, junto com o dinheiro do seu trigo". E ele fez conforme a palavra que José tinha dito.

3. Assim que a manhã clareou, os homens foram despedidos com os seus jumentos.

4. Eles tinham saído da cidade e não estavam longe, quando José disse ao seu administrador: "Levanta-te, persegue os homens; e, alcançando-os, dize-lhes: 'Por que pagastes o mal com o bem?

5. Não é esta a taça em que meu senhor bebe e pela qual ele faz adivinhações? Fizestes mal no que fizestes'".

6. Ele os alcançou e lhes falou essas mesmas palavras.

7. E eles lhe responderam: "Por que meu senhor fala tais palavras? Longe esteja de teus servos fazer tal coisa!

8. Eis que o dinheiro que achamos na boca dos nossos sacos, nós o trouxemos de volta a ti desde a terra de Canaã; como, pois, furtaríamos da casa do teu senhor prata ou ouro?

9. Aquele dos teus servos com quem ela for achada, que morra; e nós também seremos escravos do meu senhor".

10. Ele disse: "Que seja conforme as vossas palavras; aquele com quem ela for achada será meu escravo, mas vós sereis inocentes".

11. Eles se apressaram, cada um desceu o seu saco à terra, e cada um abriu o seu saco.

12. O administrador buscou, começando pelo mais velho e acabando no mais novo; e a taça foi achada no saco de Benjamim.

13. Então eles rasgaram as suas vestes; cada um carregou o seu jumento e voltaram para a cidade.

14. Judá e seus irmãos chegaram à casa de José, que ainda estava ali; e prostraram-se diante dele em terra.

15. José lhes disse: "Que ação é esta que fizestes? Não sabíeis vós que um homem como eu pode, de fato, adivinhar?"

16. Então disse Judá: "O que diremos a meu senhor? O que falaremos? E como nos justificaremos? Deus achou a iniquidade de teus servos; eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão foi achada a taça".

17. Mas José respondeu: "Longe de mim fazer tal coisa! O homem em cuja mão a taça foi achada, esse será meu escravo; quanto a vós, subi em paz para vosso pai".

18. Então Judá se aproximou dele e disse: "Ah! meu senhor, deixa o teu servo falar uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como o Faraó.

19. Meu senhor perguntou a seus servos: 'Tendes pai ou irmão?'

20. E respondemos a meu senhor: 'Temos um pai velho e um filho da sua velhice, o mais novo; o irmão deste morreu, e ele ficou só, de sua mãe, e seu pai o ama'.

21. Então disseste a teus servos: 'Trazei-o a mim, para que eu ponha os meus olhos sobre ele'.

22. E nós dissemos a meu senhor: 'O moço não pode deixar o pai; se deixar o pai, este morrerá'.

23. Mas tu disseste a teus servos: 'Se o vosso irmão mais novo não descer convosco, nunca mais vereis a minha face'.

24. Aconteceu, pois, que, subindo nós a teu servo, meu pai, contamos-lhe as palavras de meu senhor.

25. E disse nosso pai: 'Voltai, comprai-nos um pouco de mantimento'.

26. Nós dissemos: 'Não podemos descer; mas, se nosso irmão mais novo for conosco, desceremos; pois não podemos ver a face do homem se o nosso irmão mais novo não estiver conosco'.

27. Então disse-nos teu servo, meu pai: 'Vós sabeis que minha mulher me deu dois filhos;

28. um saiu de mim, e eu disse: Certamente foi despedaçado; e não o vi até agora.

29. Se tirardes também este da minha presença, e lhe acontecer algum desastre, fareis descer as minhas cãs com mal à sepultura'.

30. Agora, pois, se eu for ao teu servo, meu pai, e o moço não for conosco, visto que a alma dele está ligada à alma do moço,

31. acontecerá que, vendo ele que o moço não está conosco, morrerá; e teus servos farão descer as cãs de teu servo, nosso pai, com tristeza à sepultura.

32. Porque o teu servo se tornou fiador pelo moço para com meu pai, dizendo: 'Se eu não o trouxer de volta a ti, serei culpado para com meu pai para sempre'.

33. Agora, pois, peço-te, deixa ficar o teu servo como escravo de meu senhor em lugar do moço, e que o moço suba com seus irmãos.

34. Porque, como subirei eu a meu pai, se o moço não for comigo? Ah! não quero ver o mal que sobrevirá a meu pai".