João Ferreira de Almeida (1819)/Genesis/L

CAPÍTULO 50: O Luto, o Perdão Final e a Esperança

1. Então José se lançou sobre o rosto de seu pai, chorou sobre ele e o beijou.

2. José ordenou aos seus servos, os médicos, que embalsamassem seu pai. E os médicos embalsamaram a Israel.

3. Cumpriram-se quarenta dias para isso, porque esse é o tempo que se gasta no embalsamamento; e os egípcios choraram por ele durante setenta dias.

4. Passados os dias de choro, falou José à casa de Faraó: "Se agora achei graça aos vossos olhos, falai aos ouvidos de Faraó, dizendo:

5. 'Meu pai me fez jurar, dizendo: Eis que eu morro; no meu sepulcro, que cavei para mim na terra de Canaã, ali me sepultarás. Agora, pois, deixa-me subir, sepultar meu pai e voltar'".

6. Faraó respondeu: "Sobe e sepulta teu pai, como ele te fez jurar".

7. José subiu para sepultar seu pai; e subiram com ele todos os servos de Faraó, os anciãos da sua casa e todos os anciãos da terra do Egito,

8. bem como toda a casa de José, seus irmãos e a casa de seu pai; somente seus filhos pequenos, suas ovelhas e suas vacas deixaram na terra de Gósen.

9. Subiram também com ele carruagens e cavaleiros; e o cortejo foi grandíssimo.

10. Chegando eles à eira de Atade, que está além do Jordão, fizeram ali um grande e muito amargo pranto; e José guardou luto por seu pai durante sete dias.

11. Quando os moradores da terra, os cananeus, viram o luto na eira de Atade, disseram: "Este é um grande luto para os egípcios". Por isso o lugar foi chamado de Abel-Mizraim, que está além do Jordão.

12. Assim fizeram seus filhos o que ele lhes havia ordenado.

13. Seus filhos o levaram para a terra de Canaã e o sepultaram na caverna do campo de Macpela, que Abraão comprara com o campo, por possessão de sepultura, de Efrom, o hitita, em frente de Manre.

14. Depois de sepultar seu pai, José voltou para o Egito, ele, seus irmãos e todos os que haviam subido com ele para o sepultamento.

15. Vendo os irmãos de José que seu pai estava morto, disseram: "Talvez José nos odeie e certamente nos retribua todo o mal que lhe fizemos".

16. Então mandaram dizer a José: "Teu pai ordenou, antes da sua morte, dizendo:

17. 'Assim direis a José: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos e o seu pecado, porque te fizeram mal'. Agora, pois, rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai". E José chorou quando eles lhe falaram.

18. Depois vieram também seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram: "Eis-nos aqui por teus escravos".

19. José, porém, lhes disse: "Não temais; acaso estou eu no lugar de Deus?

20. Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o intentou para o bem, para fazer o que se vê neste dia: conservar a vida de um grande povo.

21. Agora, pois, não temais; eu vos sustentarei, a vós e a vossos filhos pequenos". Assim ele os consolou e lhes falou ao coração.

22. José habitou no Egito, ele e a casa de seu pai; e viveu cento e dez anos.

23. José viu os filhos de Efraim da terceira geração; também os filhos de Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de José.

24. E disse José a seus irmãos: "Eu morro; mas Deus certamente vos visitará e vos fará subir desta terra para a terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó".

25. Então José fez jurar aos filhos de Israel, dizendo: "Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar os meus ossos daqui".

26. Morreu José da idade de cento e dez anos; e o embalsamaram e o puseram num caixão no Egito.