A Wikimedia no Brasil/VIII

Documentar para compartilhar
DESAFIOS VIVIDOS NO PRIMEIRO ANO DO PROJETO MAIS TEORIA DA HISTÓRIA NA WIKI

bruna vitória grando
danielly campos dias figueredo
flávia florentino varella

 

Introdução

A Wikipédia é um projeto de conhecimento livre e aberto organizado em torno de comunidades linguísticas. Desde a sua primeira década de existência e a partir do aumento no número de estudos sobre a enciclopédia, a desigualdade de gênero entre editores e o declínio no número de voluntários são questões amplamente debatidas, que contribuíram para a reflexão sobre a importância de processos estratégicos dentro do movimento Wikimedia[1]. Partindo desse olhar, em 2016, teve início um processo aberto e participativo para formular um plano de ações prioritárias no horizonte de 2030 chamado de Estratégia do Movimento Wikimedia. Apoiada pela equipe da Fundação Wikimedia, a elaboração das estratégias envolveu as diversas comunidades linguísticas da Wikipédia, assim como de seus projetos-irmãos[2], grupos de afiliados e funcionários da Fundação, que foram consultados em diversas ações on-line e presenciais (Miquel-Ribé et al., 2021).

Entre as recomendações da Estratégia do Movimento Wikimedia para 2030, está o gerenciamento do conhecimento interno como forma de incentivar a cultura da documentação dentro do movimento. Não obstante todos os projetos Wikimedia serem estruturados em wikis e, por isso, manterem o histórico das versões dos textos publicados em suas páginas, esse processo automático de preservação da informação não garante o acesso à história de desenvolvimento dos projetos realizados pela comunidade wikimedista. Não raro, o único registro que permanece de uma atividade é uma página na Wikipédia, que um dia centralizou as informações básicas sobre a iniciativa, um conjunto de fotos no Wikimedia Commons e dados brutos coletados pela ferramenta Programs & Events Dashboard.

Como, a partir desses pequenos rastros, é possível entender os percursos, os aprendizados e as motivações das pessoas wikimedistas que estiveram à frente de tantos projetos? De acordo com a avaliação proposta na Estratégia do Movimento Wikimedia para 2030, incentivar a cultura da documentação permite que atores sociais aprimorem a consciência sobre aquilo que estão fazendo e que outros possam se beneficiar da leitura do registro daquilo que foi feito. Nesse sentido, exploraremos essas duas nuances da cultura da documentação a partir dos desafios enfrentados pela equipe do Projeto Mais Teoria da História na Wiki (Projeto Mais+). Em 2021, com a pandemia de covid-19 em curso, Flávia Florentino Varella, professora adjunta de Teoria da História na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Danielly Campos Dias Figueredo, graduanda em História na UFSC, Sarah Pereira Marcelino, graduada em História pela UFSC, e Igor Lemos Moreira, doutorando no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), se juntaram para delinear um projeto que pudesse ampliar o debate sobre temas relacionados aos estudos de gênero, de sexualidade, de raça e às epistemologias do Sul Global[3].

O Projeto Mais+ foi concebido como uma ação de História Pública voltada ao estímulo do engajamento de grupos minorizados no que diz respeito ao campo de estudos da Teoria da História, de forma a aumentar a atuação de pessoas historiadoras em plataformas digitais, em sintonia com a ciência aberta e a construção do conhecimento coletivo e colaborativo (Wikipédia […], 2023a). Embora, por um lado, a divulgação de conteúdo histórico para um público não especializado tenha acompanhado o surgimento das mídias e a disseminação de recursos tecnológicos na web e, por outro, não seja uma novidade a prática de pessoas historiadoras compartilharem conhecimento acadêmico fora do ambiente especializado, é a partir da década de 2010 que, no Brasil, a expressão “história pública” se populariza e o campo começa a adquirir contornos definidos. Se, inicialmente, esse campo foi pensado como uma história feita por especialistas para ser consumida por um público amplo, as discussões realizadas na primeira metade do decênio ampliaram esse significado. Nessa direção, a história pública pode ser pensada como um campo de estudos e de ação com quatro possibilidades fundamentais: 1) a história feita para o público, que visa a divulgação histórica e a ampliação de audiências; 2) a história feita com o público, em que a ideia de “autoria compartilhada” é central; 3) a história feita pelo público, que se refere a formas de fazer história e solidificar memórias que não passam pela via institucional; e 4) a ideia de história e público, ligada à própria reflexão sobre o campo em seu âmbito disciplinar (Santhiago, 2016). O Projeto Mais+ surge como uma tentativa de expandir ainda mais o alcance dessa história feita com o público, propondo integrar a comunidade wikimedista e a comunidade universitária em prol da produção de conteúdo livre e de qualidade.

Em 2022, o Projeto Mais+ organizou seis eventos em ambiente digital com a participação de cerca de 970 pessoas. Foram quatro eventos temáticos com foco em mulheres, na comunidade LGBTQIAPN+[4], nos povos originários e nas pessoas pretas, e dois wikiconcursos dedicados ao aprimoramento e destaque de verbetes na Wikipédia. Após intensa carga de trabalho, em 2023, a equipe reduziu a amplitude das ações para três eventos temáticos, com escopos semelhantes. Assim, o primeiro evento articulou a intersecção entre gênero e raça, enquanto os eventos seguintes priorizaram epistemologias indígenas e do Sul Global, e conhecimentos dissidentes.

Os processos internos de organização e estruturação das atividades se mostraram desafiadores, exigindo o desenvolvimento de competências de autogestão e avaliação, mediação de conflitos, organização interna e comunicação. Na mesma medida, a atuação no movimento Wikimedia mostrou ser uma terra fértil para o diálogo, aberto à prática da curadoria e com grande potencial para a inserção de pessoas especialistas em debates públicos no ambiente digital, incentivando a produção colaborativa de novas histórias e novos métodos de trabalho (Terres; Piantá, 2020).

Considerando o impacto negativo que a documentação fragmentária de processos e experiências pode ter em iniciativas de história pública, principalmente na formação de novas lideranças, este texto busca apresentar e refletir sobre as estratégias implementadas pela equipe do Projeto Mais+, assim como as dificuldades e os aprendizados que fizeram parte dessa trajetória. Através dessa sistematização de saberes adquiridos, acreditamos poder contribuir para que outras pessoas e outros grupos se sintam encorajados a conhecer, participar, aprimorar e desenvolver atividades relacionadas à História Pública em ambiente digital.

 

Um projeto de história pública

A diversidade das formas de se produzir conteúdo histórico no ciberespaço contribui para a remodelação da identidade tradicional dos historiadores profissionais, que se viram interpelados a desenvolver competências técnicas para gerir novas plataformas, novos meios de comunicação e aportes de alcance e disseminação do conhecimento para os quais não foram formados (Laitano, 2020). Nesse sentido, projetos de história pública são capazes de contribuir para o desenvolvimento de habilidades essenciais à prática historiadora no século XXI, como a escrita colaborativa, a comunicação científica, o gerenciamento e a organização de projetos. No entanto, a participação de profissionais da história no ambiente digital ainda é pequena devido à dificuldade de alcançar numerosa audiência e dominar a linguagem digital, entre outros fatores (Carvalho, 2018). No campo da Teoria da História, essas discussões têm se desdobrado em um debate que questiona “como praticar com eficiência a divulgação histórica sem ferir as regras do campo disciplinar” (Varella; Bonaldo, 2021, p. 18). Em outras palavras, como “as práticas de curadoria digital, de preservação e classificação dos dados, poderiam aí cumprir papel epistemológico fundamental”, tendo em vista que alcançar um grande público vai além da produção de conteúdo, englobando também variáveis relacionadas à sua organização e distribuição na rede (Varella; Bonaldo, 2021, p. 18).

De um ponto de vista epistemológico, é essencial indagar sobre as bases eurocêntricas da Teoria da História e como elas afetam a bibliografia e os tópicos de estudo canônicos. Não é exagero apontar uma geopolítica do saber que privilegia a construção de narrativas desde um lugar social e epistêmico que, embora se pretenda universal, pouco tange realidades exteriores às fronteiras do Norte Global (Pereira, 2018). Da mesma forma, uma pequena parcela do conhecimento disponível on-line é produzido sobre ou por mulheres, pessoas não brancas, comunidade LGBTQIAPN+, populações indígenas e do Sul Global (Descolonizando [...], 2022). Se tomarmos como exemplo uma estimativa sobre o perfil de editores da Wikipédia em português, 11% seriam mulheres (Costa, 2022). Do ponto de vista do conteúdo existente de artigos de tipo biográfico, 19,97% são sobre mulheres[5]. De forma paralela, no campo da Teoria da História, apenas 5% dos artigos publicados entre 2008 e 2018 na revista História da Historiografia, um dos principais periódicos brasileiros nessa área, possuíam como objeto central de estudo obras de mulheres. Além disso, no intervalo de tempo de dez anos, apenas 14% dos membros do Conselho Executivo da revista eram mulheres (Varella, 2018).

Com efeito, o Projeto Mais+ foi organizado a partir da percepção de que as lacunas e as problemáticas que perpassam a construção do campo da Teoria da História também se apresentam de forma acentuada no mundo digital e, consequentemente, na maior e mais acessada enciclopédia do mundo, a Wikipédia. Nesse sentido, a demanda contemporânea nesse campo de estudos pela incorporação de outras epistemologias ao cânone historiográfico (Assunção; Trapp, 2021) tem potencial de contribuir para a ampliação de vozes e perspectivas na produção do conhecimento digital livre e aberto.

Tendo isso em vista, em 2022, o projeto promoveu quatro eventos temáticos em sintonia com datas de visibilidade nacionais e/ou internacionais: o “Mais Mulheres em Teoria da História na Wiki” alinhado ao Dia Internacional da Mulher; o “Mais LGBTQIAP+ em Teoria da História na Wiki” ao Mês do Orgulho; o “Mais Povos Originários em Teoria da História na Wiki” ao Dia Internacional dos Povos Indígenas; e o “Mais Negres em Teoria da História na Wiki” ao Dia da Consciência Negra. Em 2023, a lógica de alinhamento com celebrações de grande engajamento na escolha das datas para realização dos eventos foi modificada por causa de três motivos principais (Grants [...], 2023b). Em primeiro lugar, grupos e coletivos não wikimedistas estão consideravelmente articulados nessas datas, sendo difícil estabelecer parcerias para a realização de atividades. Como desdobramento desse engajamento, a nossa capacidade de chamar a atenção de pessoas que possam tornar-se wikimedistas diminui. Por fim, concentrar atividades em datas de grande repercussão, mesmo sem intenção, reforça o estereótipo de que determinada data comemorativa é o espaço ideal e suficiente para se realizar eventos de visibilidade. Em síntese, a estratégia para alcançar um amplo público no espaço digital, em 2023, passou pelo distanciamento de datas de grande destaque, preferindo efemérides pouco notadas, mas igualmente significativas para as causas que gostaríamos de evidenciar. Assim, o Dia da Mulher Moçambicana foi o marco do evento “Mais Pretas em Teoria da História na Wiki”, o Dia da Proteção às Florestas do “Mais Povos Originários em Teoria da História na Wiki” e o Dia de Sair do Armário do “Mais Diversidade em Teoria da História na Wiki”.

A construção de uma ponte entre os projetos Wikimedia e o público universitário também passou pelo desenho de parcerias estratégicas. Na comunidade lusófona, o suporte do Wiki Movimento Brasil (WMB)[6] na utilização da ferramenta Wikiscore nos permitiu garantir que apenas as edições de acordo com as diretrizes da Wikipédia fossem consideradas válidas para a pontuação nos concursos de edição. Além disso, o diálogo iniciado em 2018 com o usuário Stanglavine (Rafael Ghidini) foi retomado, o que nos permitiu desenvolver listas de conteúdo para edição com maior agilidade devido ao seu conhecimento de ferramentas de automatização de processos. Em 2023, ele passou a integrar a equipe do Projeto Mais+ como Coordenador de Recursos Wiki, após a saída da integrante Sarah Marcelino (Grants [...], 2023a). De fora da comunidade lusófona, em 2022, iniciamos o diálogo com a Wikimedia Argentina, que possui forte atuação e larga experiência tanto no setor educacional quanto no de diversidade de gênero e sexualidade. Essa parceria culminou na tradução e adaptação para o português, ao longo de 2022 e 2023, da brochura Wikipédia e as biografias de pessoas LGBTQIAP+: reflexões e ferramentas para escrever sobre pessoas trans, travestis e LGBQIAP+ na enciclopédia livre e do minicurso “Wikipédia em chave de gêneros”. O minicurso “Wikipuentes: puentes entre las culturas escolares, digitales y libres”, em suas diversas versões, também serviu de base para a construção do “Wikipédia para professores universitários”.

No âmbito universitário, estabelecemos parcerias com a Associação Nacional de História (Anpuh) e com a Sociedade Brasileira de Teoria e História da Historiografia (SBTHH), organizações científicas com destacada relevância para o público-alvo do projeto. Elas atuaram na divulgação de informações sobre os eventos realizados para pessoas associadas, professores e estudantes, o que contribuiu para o fortalecimento da imagem do Projeto Mais+ entre as audiências universitárias. Adicionalmente, a SBTHH atuou como mantenedora fiscal, ou seja, entidade responsável pelo recebimento e administração do financiamento concedido pela Fundação Wikimedia ao Projeto Mais+, o que viabilizou a execução das atividades ao longo desses dois anos.


Organização e processos de avaliação internos

Em janeiro de 2022, teve início o processo de diálogo entre a equipe sobre as atividades do Projeto Mais+ via reuniões síncronas virtuais com pautas bem definidas. Durante elas, houve o planejamento da estrutura das atividades, a divisão de tarefas e a identificação dos desafios. Essas reuniões periódicas facilitaram o alinhamento interno da equipe e o acompanhamento das atividades em desenvolvimento. Também foi criado um e-mail específico para o projeto, que permitiu organizar em nuvem todos os documentos que seriam produzidos. Do ponto de vista organizacional, o Trello foi eleito como a única plataforma onde os processos a serem seguidos seriam detalhados por cada participante do grupo. Essa ferramenta de organização possibilitou a visualização das tarefas que todos precisavam cumprir, a ordem de prioridade de cada uma delas e as datas de entrega limite a serem respeitadas. Em um segundo momento, sistematizamos a distribuição das atividades considerando as habilidades de cada sujeito da equipe. Assim, foram criados os setores de “Coordenação geral”, “Coordenação de treinamento e desenvolvimento”, “Coordenação de recursos wiki”, e “Coordenação de mídias sociais”.

A realização de processos de avaliação internos e contínuos foi essencial para o desenvolvimento de gestão da equipe, permitindo a construção e utilização de ferramentas efetivas para a captação de informações de acordo com os objetivos e as metas traçadas. Devido à ausência de ferramenta integrada aos projetos Wikimedia, estruturamos formulários de inscrição e de avaliação do evento no Google Forms, com perguntas que nos permitiram entender o perfil dos participantes dos eventos e obter dados que serviram para reestruturar a conduta da equipe e as atividades propostas. Do ponto de vista quantitativo, a plataforma Programs & Events Dashboard cumpriu a sua tarefa de ajudar na visualização das edições e dos carregamentos multimídias realizados pelos participantes dos eventos.

Em posse desses dados, ao final de cada evento temático, foram desenvolvidos cinco relatórios: “Relatório de webinar e oficinas”, “Relatório do grupo de diálogo no WhatsApp”, “Relatório de inscrites[7] e edições”, “Relatório de feedback” e “Relatório das redes sociais”. A fim de reforçar o reconhecimento da importância de documentar processos e aprendizados, a equipe do Projeto Mais+ tomou a iniciativa de disponibilizar todos os relatórios produzidos, juntamente com outros materiais de avaliação interna, em uma categoria específica no Wikimedia Commons[8]. Destacamos, também, a importância desses documentos para que as práticas de autoavaliação e métricas traçadas sejam constantemente revisitadas, garantindo sua efetividade no desenvolvimento interno da equipe. Nesse sentido, a realização, apresentação e debate dos relatórios permitiram o realinhamento de posicionamentos ao longo do caminho de execução das atividades. Identificamos, por exemplo, que na Wikipédia as pessoas com mais experiência na plataforma alcançavam maior pontuação e se destacavam nos concursos de edição, enquanto que as pessoas novatas editavam de forma mais tímida e processual (Ghidini, 2022). Tal constatação nos levou, ao longo de 2022, a separar as premiações dos eventos em diferentes níveis de expertise – básico, intermediário e avançado – para contemplar e incentivar todas as parcelas de nosso público a editar na Wikipédia, no Wikidata e no Wikimedia Commons. Outro exemplo esclarecedor das vantagens da adoção da cultura da documentação aconteceu em uma reunião de autoavaliação realizada pela equipe na qual questionamos: “Se o nosso objetivo é que as pessoas aprendam a utilizar as ferramentas Wikimedia de forma processual e permaneçam na comunidade para além das atividades propostas nos eventos, por que nos interessa saber o número de bytes adicionados nas plataformas?”. Concluímos que esse tipo de métrica, embora importante em outros contextos, estava distante de nosso objetivo centrado no desenvolvimento das pessoas enquanto wikimedistas editoras.

Contudo, isso não quer dizer que as conquistas numéricas não tenham sido motivo de alegria e incentivo para a equipe. Mesmo diante de uma série de desafios e da constante necessidade de nos reinventarmos, avaliamos que o impacto do Projeto Mais+ nos projetos Wikimedia, mas especialmente na Wikipédia, foi positivo. Em 2022, a página do Mais Mulheres em Teoria da História na Wiki foi a 20ª página mais visualizada na Wikipédia em língua portuguesa, com 1.721.428 visualizações (Krehel, 2022) e 6,36% dos novos artigos da enciclopédia foram criados pelas pessoas participantes dos eventos temáticos que organizamos – ao todo foram 1.198 novos verbetes[9]! Essas conquistas, sem dúvidas, só foram alcançadas graças ao comprometimento das pessoas voluntárias que abraçaram a proposta, entenderam a sua relevância e engajaram-se conosco.

Como um projeto de História Pública focado nos estudos de gênero, de sexualidade, de raça e nas epistemologias do Sul Global, um de nossos principais objetivos era envolver ativamente e dar visibilidade a grupos com pouca representatividade em certos contextos, especialmente pessoas mulheres, LGBTQIAPN+, indígenas e negras que fazem parte da comunidade universitária, para que participem na ampliação e melhoria de conteúdo relacionado às temáticas propostas. O índice de participação de mulheres editoras, por exemplo, foi de 40% nos eventos temáticos e wikiconcursos promovidos em 2022, índice expressivo quando comparado com a estimativa de Costa (2022) de 11% de editoras na comunidade da Wikipédia em língua portuguesa. Essa discrepância pode significar que o Projeto Mais+ vem conseguindo chegar a mais mulheres do que o usual ou que a estimativa de Costa sub-representa o número de editoras na Wikipédia lusófona. Além disso, o Mais Povos Originários em Teoria da História na Wiki e o Mais Negres em Teoria da História na Wiki foram eventos com mais participação de pessoas não brancas. Enquanto que a média de pessoas que se identificaram como pessoas negras, amarelas, indígenas ou outros manteve-se abaixo dos 37% em eventos sem recorte de raça ou etnia, no Mais Povos Originários essa porcentagem foi de 39%, e no Mais Negres o crescimento foi ainda maior, com 65% de pessoas não brancas. Esses dados podem indicar a efetividade de eventos com temáticas étnico-raciais para a promoção da diversidade (Ghidini, 2022, p. 14 e 30). Cabe apontar ainda que 45% das pessoas inscritas nas atividades de 2022 criaram uma conta nos projetos Wikimedia para participar das atividades, o que mostra um potencial significativo para expandir a comunidade wikimedista dentro do público universitário. Ao mesmo tempo, a participação substancial de usuários já ativos indica a relevância das temáticas centrais dos eventos para as atuais pessoas editoras da Wikipédia e de seus projetos irmãos. No total, das 166 pessoas[10] que editaram nos eventos temáticos e wikiconcursos do Projeto Mais+, 71% eram editoras antigas no momento da inscrição (Ghidini, 2022).

Contudo, observamos a necessidade de maior reflexão sobre o perfil das pessoas inscritas e editoras nas atividades dos eventos. Nesse sentido, em 2023, adotamos a produção do “Relatório de edições” e do “Relatório do perfil de inscrites e editores”, além de refinar o formulário de inscrição com a inclusão de questões sobre sexualidade e escolaridade. Assim, no Mais Pretas em Teoria da História na Wiki, primeiro evento do ano, obtivemos dados mais precisos sobre o público que estávamos atingindo. Em relação à escolaridade, por exemplo, notamos que 97% das pessoas inscritas e 100% das pessoas editoras tinham nível superior completo ou incompleto. Por outro lado, entre as pessoas inscritas, houve maioria de mulheres cisgênero (49%) e de pessoas negras (53%), ou seja, pretas e pardas. No entanto, o perfil majoritário das pessoas editoras prevaleceu branca (66%) e homem cisgênero (55%). De qualquer forma, assim como em 2022, a porcentagem de editoras autodeclaradas mulheres (29%) permaneceu superior à média estimada de 11% (Costa, 2022). Embora não existam informações sobre o perfil racial da comunidade wikimedista lusófona, a participação de pessoas que se autodeclararam pretas e pardas nas edições dos eventos é significativa.

 

Conscientização, capacitação e diálogo

Uma das maiores preocupações do Projeto Mais+ foi desenvolver atividades que pudessem colocar em diálogo a comunidade universitária e a wikimedista. Nesse sentido, em 2022, definimos quatro webinários transmitidos ao vivo como atividades de abertura de cada um dos eventos temáticos. Eles foram pensados para colocar em diálogo duas pessoas palestrantes, sendo uma wikimedista e outra estudiosa no assunto central do evento, com uma terceira pessoa no papel da mediação. Essa estratégia foi fundamental para mostrar a seriedade do Projeto Mais+ em relação às discussões propostas, trazendo tanto pesquisadores no assunto quanto wikimedistas com projetos destacados na temática do evento como forma de evidenciar a sintonia das discussões nesses dois ambientes (Grants:Programs […], 2023a). Todos os webinários foram transmitidos no canal do Youtube do Projeto Mais+[11] e contaram com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para garantir a acessibilidade de pessoas surdas ao conteúdo veiculado. Percebemos, durante a avaliação dos eventos, que essa estratégia de diálogo funcionou, tendo em vista o índice satisfatório de circulação do conteúdo (Figura 1) e, por isso, foi mantida em 2023. FIGURA 1 Visualizações dos webinários no YouTube entre 07 de março de 2022 e 07 de junho de 2023

Fonte: elaborada pelas autoras[12].

Outra importante reflexão que teve origem no processo de autoavaliação foi a necessidade de uma curadoria especializada para os eventos. A proposta era convidar pessoas com vivência e expertise para auxiliar na seleção do conteúdo a ser sugerido para edição pelas pessoas participantes, incentivando contribuições relevantes para os objetivos do Projeto Mais+. Em nossa compreensão, essa proposta seria uma forma de garantir conteúdo com representação mais equilibrada e inclusiva, com experiências comumente sub-representadas. Essa estratégia foi implementada em 2023 e ainda está em processo de análise e refinamento pela equipe.

Do ponto de vista do estímulo à ação, em 2022, havíamos pensado em realizar quatro oficinas que ajudassem as pessoas que estavam iniciando no movimento wikimedia a se capacitarem enquanto editoras. A proposta era oferecer quatro oficinas por evento temático, totalizando 16 oficinas anuais. Contudo, tivemos no Mais Mulheres em Teoria da História na Wiki procura contínua por atividades de capacitação, o que levou ao replanejamento das oficinas, que foram divididas em três níveis – básico, intermediário e avançado – para suprir a necessidade de aprofundamento de algumas das pessoas inscritas. O ineditismo dessa estratégia foi um desafio à equipe, que teve que criar parâmetros de classificação de experiência entre novatos, intermediários e experientes (Grants:Programs [...], [2023b]). Essa remodelação tornou visível a demanda e a importância de oferecer capacitação não focada exclusivamente naqueles que estão chegando na comunidade, mas também na comunidade existente que tem interesse em aprender novas habilidades e saber mais sobre outros projetos Wikimedia. Além disso, as oficinas se mostraram, muitas vezes, como um espaço de troca entre wikimedistas em diferentes etapas de aprendizagem, fortalecendo o senso de comunidade e integração.

Nesse processo, contamos com pessoas experientes da comunidade wikimedista, que compartilharam seus conhecimentos com quem estava disposto a aprender, como facilitadores das oficinas. Por outro lado, também investimos na capacitação dessas pessoas, que apesar de dominarem as plataformas wikimedia, nunca haviam facilitado uma oficina e tiveram a chance de desenvolver essa habilidade. Esses ministrantes receberam treinamento e orientações da equipe geral do Projeto Mais+ em momentos anteriores e posteriores à facilitação da oficina. Nossa expectativa é que esses espaços formativos das oficinas capacitem não apenas pessoas que sejam novatas nos projetos Wikimedia, mas também contribuam para o crescimento de pessoas que já estão na comunidade wikimedista e que podem vir a exercer posições de liderança (Figueredo, 2022b).

Um ponto importante sinalizado nos formulários de avaliação dos eventos pelos participantes das oficinas foi a ausência do material disponibilizado em um local centralizado e de fácil acesso. Como oferecemos diversos níveis de capacitação, algumas pessoas, em especial aquelas que fizeram oficinas de forma continuada, relataram dificuldade em recuperar o material de apoio que era enviado por e-mail antes e depois do encontro síncrono. Para atender a essa demanda, em 2023, todo o material das oficinas passou a ser organizado na plataforma Moodle (Grants:Programs [...], [2023b]). A criação de espaços de aprendizado e diálogo fora das plataformas Wikimedia aconteceu não apenas no Moodle, mas também por meio do aplicativo de mensagem instantânea WhatsApp. Em especial no evento Mais LGBTQIAP+ em Teoria da História na Wiki, recebemos manifestações sobre a importância de espaços de intermediação como esse, que incentivam a edição e a construção do conhecimento colaborativo, mas também impulsionam a percepção de que a comunidade wikimedista caminha para o crescimento de um ambiente on-line cada vez mais amigável e seguro em relação à temática da inclusão (Figueredo, 2022a).

Os grupos de diálogo em aplicativo de mensagem instantânea foram criados para oferecer um ambiente acolhedor para as pessoas participantes de cada evento. Como o foco do Projeto Mais+ toca em questões sensíveis como gênero, sexualidade, raça e etnia, esses grupos de diálogo foram projetados para funcionar como ambientes seguros de aprendizagem e um canal de contato entre pessoas integrantes da comunidade wikimedia. Em 2022, o projeto criou seis grupos de diálogo, um para cada evento, nos quais as pessoas participantes eram inseridas manualmente pela equipe. O primeiro grupo, do evento Mais Mulheres em Teoria da História na Wiki, foi criado no Telegram[13], enquanto os outros cinco tiveram espaço no WhatsApp. Esses grupos eram privados e tiveram a participação de pessoas inscritas que disponibilizaram os seus números de telefone no formulário de inscrição no Google Forms. De um ponto de vista estratégico, destacamos a importância da criação dos grupos de diálogo ao menos uma semana antes do início de cada evento, pois é um período de muitas dúvidas por parte das pessoas participantes (Grando; Farion 2022b; Figueredo, 2022c). O grupo de diálogo em aplicativo de mensagem instantânea possibilitou trocas muito ricas, que foram de experiências, motivações, inseguranças, objetivos, até sugestões de mudanças relativas ao próprio evento. O grupo serviu de suporte técnico para novas pessoas usuárias, mas, antes de tudo, como um ambiente de comunicação acessível para todas as pessoas (Grants:Programs [...], [2023b]).

Com efeito, a comunicação efetiva com diversos públicos foi uma das nossas principais preocupações. Nesse sentido, as redes sociais do Projeto Mais+ foram pensadas como espaços de diálogo próximo com pessoas interessadas em causas semelhantes. No Facebook e no Instagram, foram veiculados publicações, vídeos, reels e stories sobre as campanhas, com informações gerais como abertura de inscrições, premiações e conquistas, divulgação de atividades – como webinários e oficinas de formação –, e dicas de edição nos projetos Wikimedia. No YouTube, além de divulgar os webinários temáticos, também nos preocupamos com a criação de tutoriais de edição relacionados aos eventos, especialmente aos wikiconcursos, e também veiculamos uma série de entrevistas com wikimedistas (Grando; Farion, 2022a).

Nas entrevistas, a proposta foi realizar gravações curtas com perguntas pensadas de acordo com as especificidades das contribuições dos entrevistados na Wikipédia. No total, foram realizadas 15 entrevistas com wikimedistas que se transformaram em seis vídeos que estão disponíveis no canal do YouTube do Projeto Mais+. As perguntas norteadoras foram: “Como você começou a editar na Wikipédia?”, “O que te move a editar na Wikipédia?”, “A Wikipédia combina com o trabalho do historiador?”, “Qual o potencial da Wikipédia para combater as diversas formas de negacionismo?”, “Por que todos deveriam editar a Wikipédia?” e “Como a edição na Wikipédia pode contribuir para transformar o mundo?”. Nos relatos, foi possível observar a diversidade de experiências e formas de entender as potencialidades dos projetos Wikimedia, em especial a enciclopédia livre.

Uma das estratégias do Projeto Mais+ consistiu em utilizar as redes sociais, em especial o Instagram, como uma ponte para estabelecer parcerias com páginas de divulgação de eventos, grupos de pesquisa, laboratórios, sociedades científicas, revistas ou coletivos com afinidade com a Teoria da História ou com as temáticas dos eventos. Assim, buscamos parcerias para nos ajudar a alcançar pessoas que pudessem se interessar por nossa proposta. Muitos desses convites também foram realizados via e-mail (Grants:Programs [...], [2023b]). Além disso, outras estratégias de divulgação utilizadas pela equipe foram a publicação de press release em plataformas de divulgação científica como o Café História e o site de notícias da UFSC, e-mails e mensagens no WhatsApp, convidando as pessoas inscritas nos eventos anteriores a continuarem colaborando em eventos próximos. No ambiente wiki, foram realizadas publicações de chamadas para participação na Esplanada da Wikipédia lusófona e no DIFF, assim como dispomos de anúncios no Central Notice em forma de banner na Wikipédia lusófona, no Wikidata, no Wikimedia Commons e no Wikiquote. Somente no Mais LGBTQIAP+ em Teoria da História na Wiki não foi possível contar com o banner, em função da campanha anual de arrecadação de fundos da Fundação Wikimedia no Brasil, que aconteceu em paralelo ao evento (Grants:Programs [...], [2023a]).

 

Conclusão

Durante todos os eventos realizados, a equipe do Projeto Mais+ buscou ressignificar as atividades desenvolvidas no intuito de desmistificar parte do universo wikimedista para o público externo. Entre erros e acertos, desenvolvemos capacidades ao longo de todo o processo – e continuamos a desenvolvê-las diariamente –, como, por exemplo, a habilidade de gerir adversidades. Na esteira de todos esses processos, constatamos que uma questão central no aprendizado da equipe foi perceber que a realização de eventos temáticos é um caminho rico e repleto de potencialidade para dar visibilidade às reflexões acadêmicas e da comunidade wikimedista, oferecer suporte empático para que novos usuários possam editar com segurança os projetos Wikimedia e montar uma rede de apoio disposta a auxiliar novos e antigos editores.

Nesse sentido, direcionamos os esforços para a formação de ambientes recíprocos de aprendizagem, onde as dúvidas pudessem ser sanadas rapidamente, houvesse incentivo a edições de qualidade e os conflitos com usuárias e usuários da comunidade fossem mitigados, já que esse tópico em especial contribui de maneira significativa para a desmotivação de novos e antigos wikimedistas. Acreditamos que o ambiente comunitário wikimedista é uma espaço valioso para universitários e pessoas formadas ou em formação compreenderem o que é a proposta de construção de um conhecimento livre e de qualidade, desmistificando e quebrando estereótipos.

Destacamos, em especial, a importância das estratégias e atividades implementadas serem sempre revisitadas e questionadas, para que as intenções e os pressupostos da equipe organizadora não sejam dados como certos e efetivos sem a devida avaliação e reconhecimento das limitações que possam surgir ao longo do caminho. Esse processo é facilitado por meio da construção de relatórios e da constante documentação de processos. Nesse sentido, os constantes processos de avaliação iniciados em 2022 tornaram-se indispensáveis para o aprimoramento das atividades realizadas pelo Projeto Mais+ e para o amadurecimento constante da equipe organizadora em suas capacidades de gestão e facilitação. Esse processo de avaliação permitiu que a equipe pudesse identificar seus erros, encontrar soluções para demandas da comunidade, criar novas estratégias de comunicação com o público e mediar os espaços de diálogo com as pessoas de forma a conhecê-las, aproximar-se delas e ajudá-las em suas necessidades. Assim, a comunicação com as pessoas participantes e com a comunidade da Wikipédia em língua portuguesa – mas não só, pois o projeto também estabeleceu parceria importante com outros grupos, como a Wikimedia Argentina – foi essencial para o desenvolvimento das reflexões que se sucederam nesses espaços, evidenciando a importância do engajamento do público na construção das atividades propostas.

Além disso, documentar a trajetória de um grupo de pessoas historiadoras que exercem um papel de participação e facilitação ativa na Wikipédia em português também é exemplificar como historiadoras e historiadores, formados ou em formação, estão colaborando com públicos não acadêmicos na construção de um ambiente digital equitativo e expandindo as fronteiras de conhecimentos que tendem a se restringir à academia (Avila; Nicolazzi; Turin, 2019; Laitano, 2020; Varella; Bonaldo, 2021). Em suma, esperamos que essas linhas que escrevemos sobre parte da trajetória do Projeto Mais+ contribuam para a compreensão dos processos de articulação de grupos universitários em ambiente virtual e motive novos intercâmbios entre debates sociais e inquietações teóricas por meio da ressignificação da prática historiadora frente às novas tecnologias.

 

Referências

ASSUNÇÃO, M. F. M. de; TRAPP, R. P. É possível indisciplinar o cânone da história da historiografia brasileira? Pensamento afrodiaspórico e (re)escrita da história em Beatriz Nascimento e Clóvis Moura. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 41, n. 88, p. 229-252, 2021.
AVILA, A. L. de; NICOLAZZI, F.; TURIN, R. (org.). A história (in)disciplinada: teoria, ensino e difusão de conhecimento histórico. Vitória: Milfontes, 2019.
CAPÍTULOS da Wikimedia. In: WIKIMEDIA: Meta-wiki. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022]. Disponível em: https://w.wiki/Axx$. Acesso em: 1 jun. 2023. CARVALHO, B. L. P. de. Onde fica a autoridade do historiador no universo digital? In: MAUAD, A. M.; SANTHIAGO, R.; BORGES TRINDADE, V. (org.). Que história pública queremos? São Paulo: Letra e Voz, 2018. p. 195-203.
COSTA, P. R. A comunidade wikipedista em língua portuguesa: um retrato social. Revista Famecos, Porto Alegre, v. 28, n. 1, p. 1-27, jan./dez. 2022.
DATA:WIKIPEDIA statistics/data.tab: Difference between revisions. In: WIKIMEDIA Commons. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2021]. Disponível em: https://w.wiki/AxzZ. Acesso em: 15 set. 2023.
DATA:WIKIPEDIA statistics/data.tab: Difference between revisions. In: WIKIMEDIA Commons. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022]. Disponível em: https://w.wiki/Axza. Acesso em: 15 set. 2023.
DESCOLONIZANDO os Dados Estruturados da Internet. Whose Knowledge, [s. l.], 2022. Disponível em: https://whoseknowledge.org/wp-content/uploads/2022/04/DTI-SD-reportPT.pdf. Acesso em: 14 jun. 2023.
FIGUEREDO, D. C. D. Relatório de Feedback (padlet e formulário) Mais LGBTQIAP+. In: WIKIMEDIA Commons. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022a]. Disponível em: https://w.wiki/AxyX. Acesso em: 9 jun. 2023.
FIGUEREDO, D. C. D. Relatório de inscrição Webinar e Oficinas Mais Negres. In: WIKIMEDIA Commons. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022b]. Disponível em: https://w.wiki/AxyU. Acesso em: 9 jun. 2023.
FIGUEREDO, D. C. D. Relatório de participação des usuáries no grupo do Telegram. In: WIKIMEDIA Commons. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022c]. Disponível em: https://w.wiki/AxyT. Acesso em: 9 jun. 2023.
GHIDINI, R. Relatório de inscrites e edições - Síntese 2022. In: WIKIMEDIA Commons. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022]. Disponível em: https://w.wiki/AxyY. Acesso em: 14 jun. 2023.
GRANDO, B. V.; FARION, A. V. Relatório de avaliação das redes sociais - Síntese 2022. In: WIKIMEDIA Commons. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022a]. Disponível em: https://w.wiki/AxyM. Acesso em: 17 jun. 2023.
GRANDO, B. V.; FARION, A. V. Relatório de avaliação dos grupos de diálogo - Síntese 2022. WIKIMEDIA Commons. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022b]. Disponível em: https://w.wiki/8yiw. Acesso em: 14 jun. 2023.
GRANTS:PROGRAMS/Wikimedia Community Fund/Mais Teoria da História na Wiki/ Midpoint Report. WIKIMEDIA: Meta-wiki. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2023a]. Disponível em: https://w.wiki/Axyd. Acesso em: 9 jun. 2023.
GRANTS:PROGRAMS/Wikimedia Community Fund/Mais Teoria da História na Wiki/Final Report. WIKIMEDIA: Meta-wiki. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2023b]. Disponível em: https://w.wiki/Axyf. Acesso em: 9 jun. 2023.
GRUPOS de usuários da Wikimedia. WIKIMEDIA: Meta-wiki. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022]. Disponível em: https://w.wiki/Axyg. Acesso em: 1 jun. 2023.
KREHEL, D. 2022-daily_user_pageviews. Internet Archive, [s. l.], 2022. Disponível em: http://archive.org/details/2022-daily_user_pageviews. Acesso em: 15 jun. 2023.
LAITANO, B. G. (Con)figurações do historiador em um tempo marcado pela disrupção tecnológica. Esboços: histórias em contextos globais, Florianópolis, v. 27, n. 45, p. 170-186, maio/ago. 2020. LISTA completa de projetos da Wikimedia. WIKIMEDIA: Meta-wiki. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2023]. Disponível em: https://w.wiki/AvyP. Acesso em: 20 abr. 2023.
MARCELINO, S. P. Relatório de inscrites e edições - Wikiconcurso Chuva de Bytes. In: WIKIMEDIA Commons. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022]. Disponível em: https://w.wiki/Axyw. Acesso em: 18 set. 2023.
MIQUEL-RIBÉ, M. et al. Wikimedia 2030 movement strategy: How an inclusive open strategy process has placed people at the centre. BiD: textos universitaris de biblioteconomia i documentació, Barcelona, n. 47, p. 1-26, dez. 2021.
MOVIMENTO Wikimedia. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2023]. Disponível em: https://w.wiki/Axz3. Acesso em: 23 maio 2023.
ORGANIZAÇÕES temáticas da Wikimedia. WIKIMEDIA: Meta-wiki. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022]. Disponível em: https://w.wiki/AzZ6. Acesso em: 1 jun. 2023.
PEREIRA, A. C. B. Precisamos falar sobre o lugar epistêmico na Teoria da História. Revista Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 10, n. 24, p. 88-114, maio/ago. 2018.
SANTHIAGO, R. Duas palavras, muitos significados: Alguns comentários sobre a história pública no Brasil. In: MAUAD, A. M.; RABÊLO DE ALMEIDA, J.; SANTHIAGO, R. (org.). História pública no Brasil: sentidos e itinerários. São Paulo: Letra e Voz, 2016. p. 25-35.
TERRES, P. T.; PIANTÁ, L. T. Wikipédia: públicos globais, histórias digitais. Esboços: histórias em contextos globais, Florianópolis, v. 27, n. 45, p. 264-285, maio/ago. 2020.
VARELLA, F. F. Limites, desafios e perspectivas: a primeira década da revista História da Historiografia (2008-2018). História da Historiografia, Ouro Preto, v. 11, n. 28, p. 219-265, set./dez. 2018.
VARELLA, F. F.; BONALDO, R. B. Negociando autoridades, construindo saberes: a historiografia digital e colaborativa no projeto Teoria da História na Wikipédia. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 40, n. 85, p. 147-170, dez. 2020.
VARELLA, F. F.; BONALDO, R. B. Todos podem ser divulgadores? Wikipédia e curadoria digital em Teoria da História. Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre, v. 47, n. 2, p. 1-21, maio/ago. 2021.
WIKICONCURSO verbetes fantásticos. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2022]. Disponível em: https://outreachdashboard.wmflabs.org/courses/Projeto_Mais_Teoria_da_História_na_Wiki/Wikiconcurso_verbetes_fantásticos/. Acesso em: 22 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Projeto Mais Teoria da História na Wiki/2023. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2023a]. Disponível em: https://w.wiki/AxzW. Acesso em: 17 mar. 2023.
WIKIPÉDIA:Projeto Mais Teoria da História na Wiki/FAQ. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2023b]. Disponível em: https://w.wiki/AxzX. Acesso em: 6 jul. 2023.

 

  1. O termo “wikimedista” é utilizado para designar alguém que contribui para qualquer projeto gerenciado pela Fundação Wikimedia, que inclui a Wikipédia, o Wikiquote, o Wikidata, o Wikimedia Commons etc. Por outro lado, “wikipedista” refere-se à pessoa que contribui exclusivamente na Wikipédia (Lista [...], [2023]; Movimento [...], [2023]). Além das pessoas voluntárias, também compõem o Movimento Wikimedia instituições, tais como capítulos, organizações temáticas e grupos de usuários com vínculo formal com a Fundação Wikimedia (Capítulos [...], [2022]; Grupos [...], [2022]; Organizações [...], [2022]).
  2. São chamados de “projetos-irmãos” as demais plataformas gerenciadas pela Fundação Wikimedia. Ver em: https://www.wikimedia.org/.
  3. O Projeto Mais+ foi gestado a partir da experiência de um voluntário e de três voluntárias introduzidos ao universo Wikimedia através do projeto de extensão universitária “Teoria da história na Wikipédia”, iniciado em 2018 na UFSC, cujo principal objetivo era a reformulação e o destaque de verbetes. Maiores informações sobre podem ser lidas em Varella e Bonaldo (2020).
  4. Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais/Travestis/Transgêneros, Queer, Intersexo, Assexuais/Arromânticos/Agênero, Pansexuais/Polissexuais/Panromânticos, Não Binárias e muito mais.
  5. De acordo com consulta ao Wikidata Query Service, realizada em 15 de fevereiro de 2023. Ver em: https://w.wiki/6Le8.
  6. Após aprovação como Capítulo Wikimedia (organização independente e sem fins lucrativos dedicada a apoiar a Wikipédia), o Wiki Movimento Brasil passou a se chamar Wikimedia Brasil, mantendo-se a sigla.
  7. Em 2022, na primeira fase do Projeto Mais+, a linguagem neutra foi adotada no intuito de reconhecer a existência e incentivar a pluralidade de pessoas, que vão além daquelas que se identificam como homem e mulher. A adoção do sistema “elu” é debatida em uma série de discussões teóricas, acadêmicas e comunitárias, e foi empregado de forma consciente para estimular o debate sobre o viés linguístico entre os wikipedistas e na sociedade de forma geral (Wikipédia:Projeto […], [2023b]).
  8. A categoria do Projeto Mais+ no Wikimedia Commons pode ser acessada em: https://w.wiki/7Qp$.
  9. Dos 18.810 artigos criados na Wikipédia em língua portuguesa em 2022 (Data:Wikipedia [...], [2021, 2022]), 599 foram criados por participantes de algum dos cinco eventos temáticos organizados pelo Projeto Mais+ (Ghidini, 2022), 539 foram criados no Wikiconcurso Chuva de Bytes (Marcelino, 2022), 60 foram criados no Wikiconcurso Verbetes Fantásticos (Wikiconcurso [...], [2022]). No total, esses sete eventos somaram 1.198 novos artigos, correspondendo a 6,36% do total de 18.810 novos artigos em 2022.
  10. O número total informado não exclui participantes que possam ter contribuído em múltiplos eventos temáticos ou concursos de edição organizados pelo Projeto Mais+ em 2022, ou seja, não se trata de um registro de usuários únicos.
  11. O canal do Projeto Mais+ no YouTube pode ser acessado em: https://www.youtube.com/@maisteoriadahistorianawiki883.
  12. A partir de dados disponíveis no Analytics do canal do YouTube do Projeto Mais+, 2023.
  13. No evento Mais Mulheres em Teoria da História na Wiki, o Telegram apresentou uma limitação no reconhecimento dos telefones adicionados, que impossibilitou que todas as pessoas pudessem ser colocadas no grupo. Nesse caso, a equipe do projeto deliberou notificar todas as pessoas inscritas via e-mail sobre o imprevisto ocorrido e migrar para o WhatsApp no evento seguinte (Figueredo, 2022c).