A Wikimedia no Brasil/III

Mulheres em rede
CONSTRUÇÃO DA EQUIDADE DE CONHECIMENTO NA WIKIPÉDIA

andressa inácio de oliveira bonatto
danielly campos dias figueredo
erika guetti suca
giovanna viana fontenelle de araújo
isabela tosta ferreira
rute correia
sandra schmitt soster
tila cappelletto

 

Introdução

A busca pela equidade de conhecimento é uma das direções da Estratégia Wikimedia 2030, um esforço colaborativo em nível mundial para discutir a infraestrutura do movimento e de suas plataformas como: a Wikipédia; o Wikidata, um banco de dados colaborativo; o Wikimedia Commons, um repositório de imagens aberto; entre outros projetos. Tal esforço propõe a expansão do que deve ser valorizado como conhecimento e a consequente inclusão de comunidades historicamente excluídas das estruturas sociais de poder e privilégio. Essa busca prevê, ainda, a superação de barreiras que impedem qualquer pessoa de consumir ou de criar conteúdo nas plataformas Wikimedia, com o objetivo de ter sua própria cultura também representada de maneira equitativa (Movement [...], [2023]).

A lacuna de gênero é um ponto de debate dentro do Movimento Wikimedia desde o início da década de 2010, momento em que vieram à tona dados estatísticos sobre a sub-representação de mulheres em termos de participação e de conteúdo, especialmente na Wikipédia anglófona. Várias pesquisas e ações desse período (Corple, 2016; Ford; Wajcman, 2017; Gallus; Bhatia, 2020; Menking; Erickson, 2015; Menking; Erickson; Pratt, 2019; Menking; Rosenberg, 2021; Shaw; Hargittai, 2015, 2018) contribuíram para o surgimento de projetos e grupos dedicados à discussão de gênero, sobretudo do Norte Global. A fala das comunidades do Sul Global é presente, mas ainda é pouco percebida na construção do consenso sobre a lacuna de gênero na Wikimedia.

Diante disso, o presente capítulo trata da busca pela equidade de conhecimento especificamente na Wikipédia lusófona, por meio de uma perspectiva feminista pautada pela interseccionalidade (Collins; Bilge, 2020). Nesse sentido, a lacuna de gênero é entendida em sua interrelação com outras lacunas do conhecimento – como raça/etnia, classe, sexualidade, geografia, capacidades etc. Ademais, considerando que a lusofonia envolve todos os países falantes de português em seus variados regionalismos, também o conceito de transnacionalidade é empregado na interpretação da história do movimento de mulheres editoras falantes do português.

Ao cabo, o capítulo documenta a história de atuação de mulheres wikimedistas lusófonas organizadas em grupos ou projetos e que trabalham em prol da equidade nas plataformas Wikimedia. Delineamos um panorama das diversas configurações de ação de mulheres editoras lusófonas entre 2001 e 2022, alcançando um acúmulo teórico inédito sobre o tema. O trabalho é resultado de um processo de construção de consenso e escrita coletiva por algumas das mãos que vêm contribuindo para amplificar a equidade de conhecimento e de participação nas plataformas Wikimedia.

Em termos metodológicos, o consenso apresentado toma parte nos esforços da ciência aberta, tendo por base teórica os campos da História Pública, da História Oral e da História Digital (Frisch, 2016; Noiret, 2015; Sepúlveda, 2016). À luz da bibliografia especializada sobre a lacuna de gênero na Wikimedia, o que aqui se apresenta é uma análise histórica do caso lusófono com foco majoritário na Wikipédia.

Em primeiro lugar, para entender o engajamento feminino na Wikimedia, apresentamos a cronologia das ações temáticas de gênero documentadas no domínio Wikipédia, enredada pelo balanço organizativo dos grupos feministas Wiki Editoras Lx (WELx) e WikiMulheres+ (WM+), do Wiki Movimento Brasil (WMB)[1], bem como do Projeto Mais Teoria da História na Wiki (Projeto Mais+). Em segundo lugar, elencamos os resultados gerais da pesquisa “A experiência do movimento de mulheres lusófonas na wikimedia: uma estima-ativa”, desenvolvida em 2023, que buscou traçar perfis de pessoas contribuidoras da atualidade[2]. Por fim, articulamos o exposto ao longo do capítulo com a história dos movimentos feministas do início do terceiro milênio e as direções estratégicas do Movimento Wikimedia para 2030, com o objetivo de esboçar indicações para a construção de espaços mais inclusivos e acolhedores nesse ambiente do conhecimento livre.

 

Cronologia das ações de gênero na Wikipédia[3]

A Wikipédia foi criada em 2001 e, desde o final da primeira década de sua existência, sabemos das dimensões da desigualdade social na participação e, consequentemente, nos conteúdos dos projetos Wikimedia em termos globais. Em relação à desigualdade de gênero, sabe-se que, em 2011, as mulheres representavam apenas 9% das pessoas contribuidoras (Research […], 2011). No final da segunda década de sua existência, foi possível perceber um aumento de sua participação, todavia, ainda representando globalmente somente 15% do corpo de pessoas editoras (Community […], 2021). Tal presença minoritária se replica ao longo das comunidades linguísticas do Movimento Wikimedia e suas particularidades culturais. Em uma estimativa de 2021, apenas 11% das pessoas editoras da Wikipédia lusófona que responderam a um questionário se identificaram como mulheres (Costa, 2021). Em março de 2023, 20% do conteúdo Wikimedia, incluindo biografias na Wikipédia, eram sobre mulheres. Três anos antes, em 2020, esse índice era ainda menor: 18,5% (Humaniki […], 2023).

As sequenciais maratonas de edição – chamadas de “edit-a-thons” ou “editatonas” – sobre mulheres, gênero e feminismos na Wikipédia em português têm algum grau de responsabilidade no referido aumento percentual, pois, apesar do cenário desafiador, editoras mulheres e editores aliados têm se articulado nos últimos anos em torno do aumento desse conteúdo específico na Wikimedia.

Observando a página “Wikipédia:Edit-a-thon/Atividades em português”, é possível perceber a proeminência de editatonas temáticas de gênero (Figura 1). Nesse local, a comunidade wikipedista lusófona divulga e documenta eventos realizados (Wikipédia […], [2023]). Atividades que não constam nesse endereço estão fora do controle da comunidade e, portanto, fora do escopo deste capítulo. A cronologia aqui apresentada se estende desde a primeira editatona, em 2013, até março de 2023. Da extensa lista apresentada no Apêndice A deste capítulo, alguns exemplos importantes foram comentados a seguir, por representarem momentos-chave do estabelecimento dessa pauta na pt.wikipedia e posterior constituição do movimento de wikimulheres na Lusofonia.

FIGURA 1 Editatonas temáticas de gênero organizadas pela comunidade wikipedista lusófona (março de 2013 a março de 2023)

Fonte: elaborada pelas autoras[4].

A primeira atividade registrada foi a “Edit-a-thon no Dia Internacional da Mulher” (Figura 2), que aconteceu em 02 de março de 2013, em São Paulo, organizada por pessoas wikimedistas brasileiras e a Fundação Wikimedia (Dia […], 2013). De acordo com um relato disponível na plataforma Diff, esse foi o primeiro evento de gênero na comunidade lusófona e reuniu mulheres experientes e novatas na Wikipédia (Roth, 2013)[5]. A organização do evento situou a discussão global sobre a lacuna de gênero, centralizada na página “Gender Gap” na meta-wikimedia (Gender […], 2012, 2023). Uma espécie de segunda edição desse mesmo evento aconteceu no ano seguinte, em 26 de abril de 2014, também em São Paulo, tendo por título “Edit-a-thon das Minas” (Wikipédia […], [2023]). A atividade foi realizada em parceria com a Think Olga (Dia […], 2014; Participe […], 2014)[6]. Ambas as atividades foram organizadas por wikimedistas do Brasil, que depois vieram a compor o grupo atualmente conhecido como Wikimedia Brasil (2023a, 2023b). Sob o mesmo título, duas atividades foram realizadas por grupos de pessoas voluntárias em 2015, no Rio de Janeiro e em Salvador (Wikipédia […], 2015b, 2015c)[7].

FIGURA 2 Primeiro evento de gênero da Wikipédia em português, realizado em homenagem ao Dia Internacional da Mulher de 2013, em São Paulo

Fonte: Ezalvarenga ([2013]).

A partir de 2015, os eventos temáticos de gênero começaram a acontecer com mais frequência, em consonância com iniciativas globais de combate da lacuna de gênero da Wikimedia. Na efervescência desse debate, em 07 de março de 2015, aconteceu o primeiro evento da campanha global “Art+Feminism (A+F)” na Wikipédia em português, o “Arte+Feminismo”, em Lisboa (Wikipédia […], 2015a). O encontro foi inspirado em eventos realizados nos Estados Unidos, que faziam parte da mesma campanha, criada em 2014 (Art+Feminism [...], [2023])[8]. A partir daí, paulatinamente, os eventos temáticos de gênero tornaram-se os principais encontros entre a comunidade da Wikipédia em português com novas pessoas contribuidoras em potencial, com destaque para o ano de 2018 (Figura 1).

A introdução das editatonas “A+F” na lusofonia foi fundamental para o aumento do número de atividades nos anos seguintes a 2015, conforme observado na Figura 1. A campanha garante suporte organizativo, bem como pequenos financiamentos, para ações de ampliação da cobertura sobre mulheres nos projetos wiki, em especial na Wikipédia (Art+Feminism [...], [2023]). O ano de 2018 marcou o quinto aniversário da iniciativa, que a partir daí passou a promover temas anuais para o calendário global de eventos. Em cidades brasileiras e portuguesas, uma série de editatonas foi realizada em parceria com outras organizações. Todavia, entre 2015 e 2018, registraram-se também atividades independentes da campanha, organizadas por grupos voluntários (Apêndice A). O acumulado de ações nesse período possivelmente congregou um grande volume de inclusão de conteúdo, em especial de biografias femininas à Wikipédia. Os termos quantitativos disso, bem como da retenção de pessoas contribuidoras que participaram dessas atividades – ou até mesmo da permanência desse conteúdo incluído –, merecem, no futuro, uma análise mais aprofundada.

No que tange à constituição do movimento wikimedista organizado em torno da lacuna de gênero, quatro fenômenos são importantes. Em primeiro lugar, o estabelecimento de uma equipe profissional pelo WMB, a partir de 2017 e inicialmente localizada em São Paulo. Em segundo lugar, a criação do grupo de usuárias WELx (Wiki [...], 2023), em 2019 a partir de Lisboa, Portugal. Em terceiro lugar, as ações da Coletiva NaPupila entre 2020 e 2021. E, por fim, o estabelecimento do Projeto Mais Teoria da História na Wiki, especialmente a partir de 2022, desde Florianópolis, no Brasil (Wikipédia: Projeto […], [2023]). A existência de grupos organizados e parcialmente profissionalizados impulsionou o processo organizativo de wikimulheres (A Experiência […], 2023).

A criação do grupo WELx se relaciona à editatona “Visibilizando as Margens”, que ocorreu no âmbito do 2º Festival Feminista de Lisboa. Esse evento contou com uma contribuição espanhola, uma sessão ministrada por Patricia Horrillo, membra do grupo hispanohablante Wikiesfera (Oficina, 2020; Wiki [...], 2023; Wikiesfera, [2023])[9]. No mesmo ano, 2019, ocorre, em São Paulo, a editatona “#MaisMulheresNaTecnologia”, organizada por membras do WMB (Wikipédia:Edit-a-thon […], [2019]), em parceria com a PrograMaria[10]. Entre os resultados estão: 150 pessoas inscritas, 40 novas usuárias na Wikipédia e 42 artigos traduzidos, melhorados e criados.

Entre 2020 e 2021, as editatonas passam a unificar as organizadoras já ativas na Europa e no Brasil em torno de temáticas relacionadas ao universo da arte. Em março de 2020, ocorre o evento “Editatona 8M: Artivismo. Juntas Editamos a Wikipédia”, organizado em Lisboa pelo A+F e pelas WELx, mais uma vez com a colaboração da wikimedista espanhola Horrillo (Art+Feminism […], [2020a])[11]. As atividades se concentraram nos recortes de artes e gênero, agrupando essas discussões a outras questões, como migrações e trabalho. Uma característica do grupo de Lisboa é a presença de membras brasileiras. Em segundo lugar, uma prática caracteriza essa e outras ações tanto das WELx quanto da Coletiva NaPupila: o convite a pessoas especialistas para fazer a curadoria temática dos verbetes a serem editados (NaPupila, 2023). No período destacado, a NaPupila coorganizou uma série de editatonas “Artes+Feminismos”, cada uma contando com um tema focal e com curadoria de artistas mulheres. Os temas articulavam a pluralidade dos feminismos, no prelo das artes visuais, a dimensões como trabalho, arquivo, transgeneridade e maternagem (Wikipédia:Edit-a-thon […], [2020b, 2020c, 2020d, 2020e, 2021a, 2021b, 2021c]). Já em março de 2021, a editatona “Artes+Feminismos | Luta das Mulheres” congrega WMB, WELx e NaPupila (Wikipédia:Edit-a-thon […], [2021b]). Vale ressaltar que, em 2020, o distanciamento social imposto pela pandemia de covid-19 acabou por contribuir para a ampliação dos encontros on-line e a conexão entre Brasil, Portugal e outros territórios lusófonos, em detrimento dos encontros presenciais.

Um outro marco importante nessa cronologia é o estabelecimento de uma curadoria ativa da versão lusófona do wikiprojeto Mulheres a Vermelho (MaV) na Wikipédia lusófona pelas WELx. Em inglês, “Women in Red” (WiR) é um esforço internacional de aumentar o número de biografias de mulheres e verbetes temáticos de gênero nas Wikipédias. O nome faz alusão às hiperligações vermelhas, que caracterizam as lacunas de conhecimento on-wiki, ou seja, os verbetes que ainda não foram criados. A missão é transformar esses links em hiperligações azuis, portanto, incluir conhecimento sobre história das mulheres na plataforma. O MaV tem como símbolo o busto de Marielle Franco, mulher negra e feminista brasileira, assassinada por violência política, no Rio de Janeiro, em 2016. A figura de Marielle, além de icônica para os movimentos feministas, tornou-se emblemática para o Movimento Wikimedia lusófono, ao ter sido um exemplo da hostilidade da comunidade wikipedista a saberes de populações marginalizadas (Vrana, 2018; Vrana; Sengupta; Bouterse, 2020)[12].

Nesse contexto descrito, as atividades organizadas por e para mulheres no contexto lusófono da Wikimedia adquirem caráter nitidamente mais organizativo. Em 2021, ocorrem dois eventos que podem ser avaliados como a culminação desse processo, que serviram como principais catalisadores para a organização de editoras lusófonas, transversalmente entre Brasil e Portugal (Figura 3). Em primeiro lugar, “Tecendo redes: Onde estão xs editorxs da Wikipédia em português?”, organizado pelo WMB e WELx, que fez parte do evento Festa da Lusofonia (2021), em celebração aos 20 anos da Wikipédia lusófona. O momento contou com a participação da wikimedista espanhola María Sefidari[13] e fomentou discussões sobre relações entre e além de Brasil e Portugal. Em segundo lugar, a Capacitação de Usuárias Wikimedia foi um evento informativo e formativo direcionado a mulheres editoras de diferentes níveis dentro da lusofonia, e contou com três dias de discussões e capacitações técnicas, com 32 mulheres participantes (Wikipédia:Edit-a-thon […], [2021a]). Para além do WMB e do A+F, o evento contou com o apoio da Whose Knowledge? (Whose […], [2023]). A capacitação também permitiu debates sobre representatividade, lacunas de gênero e raça/etnia, e os esforços para corrigi-los, edições em diferentes projetos, queries e ferramentas, além de um espaço sobre os diferentes tipos de apoios possíveis junto à Fundação Wikimedia[14].

FIGURA 3 Cartazes de divulgação de alguns dos eventos sobre mulheres

Fonte: elaborada pelas autoras, com imagens de Daphne (2021) e Categcc (2021). CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.

A última sessão da capacitação em questão objetivou um espaço de organização das mulheres wikimedistas. Foi nessa ocasião que as usuárias participantes do evento começaram a criar o grupo de usuárias WikiMulheres+. Fundado oficialmente apenas em outubro de 2022, o grupo atua em perspectiva transnacional e tem como objetivo aumentar e fortalecer a atuação de wikimulheres na lusofonia, bem como promover a equidade de conhecimento nas plataformas Wikimedia (WikiMulheres+, [2023]).

A partir de 2022, aprofundou-se o trabalho da equipe do projeto Mais Teoria da História na Wiki. Por meio de uma série de atividades temáticas distribuídas por datas importantes da história dos movimentos feministas, negro e indígena, o projeto contribuiu para a criação, complementação e qualificação do conhecimento livre nos projetos Wikimedia, em perspectiva com o campo da teoria historiográfica. As atividades, majoritariamente desenvolvidas on-line, funcionaram como ponte entre o conhecimento produzido e alocado nas universidades e questões sociais cada vez mais urgentes, como a visibilidade e conhecimentos sobre e de mulheres marginalizadas. Sobretudo, tiveram como objetivo contribuir para a atuação de acadêmicas(os) de cursos de graduação em História e áreas correlatas, formadas(os) ou em formação, nas plataformas gerenciadas pela Fundação Wikimedia, em sintonia com a ciência aberta e a construção do conhecimento coletivo e colaborativo (Wikipédia:Projeto […], [2023]; Wikipédia:Wikipédia […], [2023]).

O Projeto Mais+ foi fundado por um grupo de pessoas editoras experientes, composto sobretudo por mulheres – três das quatro pessoas que fundaram o projeto. O foco principal dessa iniciativa volta-se para a discussão e a edição de temas relacionados aos estudos de gênero, de sexualidade, de raça e à epistemologia do Sul Global, atuando para estimular o engajamento de grupos minorizados nos projetos Wikimedia, no que diz respeito ao tema da Teoria da História. A premissa desse projeto recai sobre as lacunas existentes tanto nos projetos Wikimedia quanto na Teoria da História, em perspectiva de gênero e suas interseccionalidades (Wikipédia:Projeto […], [2023]; Wikipédia:Wikipédia […], [2023]).

Como forma de concluir essa pequena recuperação do histórico de atividades feitas por e para usuárias dos projetos Wikimedia, destacamos a editatona “BBC 100 Mulheres”, ocorrida já em 2023. Esse foi o primeiro evento oficialmente organizado pelo grupo de usuárias WikiMulheres+ em parceria com WELx, WMB e A+F. A editatona contribuiu com 3,77 milhões de bytes sob a temática da lista das 100 mulheres mais inspiradoras e influentes do mundo em 2022 (BBC 100 […], 2022).

Diante dessa breve cronologia, argumentamos que a história de ações temáticas de gênero de grupos informais e afiliados Wikimedia foram fundamentais para o ingresso de mulheres no movimento wikimedista lusófono. Ademais, o surgimento dessas ações impulsionou o debate e o planejamento de estratégias para que as mulheres continuassem ocupando espaços e construindo ambientes de interação mais seguros, inclusivos e audazes (Art+Feminism [...], [2023]). Isso se torna visível no rastreio da data de criação de contas de usuárias Wikimedia ativas entre 2020 e 2023, como visto na figura a seguir:

FIGURA 4 Usuárias que criaram contas e ainda estão ativas, por tipo (2005-2020)

Fonte: pesquisa “A experiência do movimento de mulheres lusófonas na Wikimedia: uma estima-ativa” (A Experiência […], 2023).

Na Figura 4, entre as contas de usuárias ativas (em roxo), destacam-se as contas de mulheres wikimedistas (em verde) e de editoras independentes (em rosa). Contas ativas significam editoras registradas no domínio “Usuária”, com mais de 10 edições entre 2020 e 2023. Mulheres wikimedistas são editoras organizadas em grupos de usuárias participantes da pesquisa, e editoras independentes são mulheres que atuam na Wikipédia lusófona sem estar organizadas em grupos wikimedistas e que participaram da pesquisa.

Conforme apresenta o gráfico, entre as editoras ativas no período estudado, a soma acumulada de criação de novas contas é mais expressiva a partir de 2014. Uma explicação alternativa para isso pode ser a hipótese de que pessoas ativas em determinado ano têm mais chances de terem permanecido ativas em alguns anos anteriores e menos chance de terem mais de uma década de edição. Todavia, dados da pesquisa sobre a experiência do movimento de mulheres wikimedistas demonstram que uma das principais motivações para a entrada de editoras em grupos de usuárias é a própria ação wikimedista de convite e capacitação de pessoas, especialmente por meio de editatonas feministas e programas de educação (A Experiência […], [2023]).

Onde estão as editoras mulheres?

Não existem mulheres editando a Wikipédia lusófona”, afirmou um editor em uma roda de conversa na Wiki Con Brasil 2022[15]. Essa frase, expressa em um espaço público e presencial ligado ao movimento wikipedista brasileiro, ajuda a entender as duas visões opostas que convivem atualmente na comunidade de editores. De um lado, o contexto de atuação organizada de wikimulheres, e, de outro, a visão difundida entre wikipedistas pouco habituados ao tema da lacuna de gênero on-wiki. A diferença de visões pode ser creditada às distâncias existentes entre a estratégia global do movimento Wikimedia e os contextos locais internos às wikipédias.

É certo que mulheres são minoria, mas suas agências são significativas. Em sentido global, quase 35% das atividades do movimento Wikimedia referentes a 2018 foram lideradas por mulheres. No mesmo ano, 24% dos cargos nas organizações afiliadas à Fundação Wikimedia eram ocupados por elas (Community […], [2018]). Essas cifras ainda são insuficientes para a efetivação da equidade de gênero, todavia, a análise dessas atuações revela que tarefas tipicamente empreendidas por mulheres são normalmente não contabilizadas nas métricas:

[...] as tarefas de organização, de construção de alianças, de treinamento de editoras, de convite a novas pessoas para participar, são equivalentes as [sic] tarefas domésticas. Ninguém as contabiliza. Não são um dado. Não é por acaso que uma parte importante das pessoas que realizam essas tarefas sejam mulheres. Mas esse trabalho de construção manual busca transformar a comunidade e torná-la um espaço mais inclusivo (Heidel, 2021).

No início da década de 2020, mulheres wikimedistas se mostraram agentes fundamentais na organização de eventos, coordenação de grupos e discussões estratégicas do movimento wikimedista na Lusofonia. Suas presenças, todavia, são mais perceptíveis em espaços meta-organizativos do que entre o corpo de pessoas editoras da Wikipédia lusófona. Por exemplo, na Wiki Con Brasil 2022, elas representaram 46% do público da conferência[16]. Em grande medida, isso foi resultado do comprometimento do comitê organizador com a busca pela equidade de gênero.

Em 2023, as Wiki Editoras Lx completaram quatro anos de atividades de inclusão de conteúdo on-wiki e construção de comunidade. Nesse ano, o grupo de usuárias(os) é o único existente em Portugal, para além do capítulo afiliado Wikimedia Portugal. Além disso, a manutenção de sessões quinzenais de edição de 2020 a 2022 pelo grupo, alternando encontros on-line e presenciais, logrou criar um espaço de discussão permanente sobre a lacuna de gênero e a estratégia do movimento wikimedia que se interliga, em certa medida, aos eventos wikimedistas comentados anteriormente. Também em 2023, as WikiMulheres+ lançaram-se como uma articulação entre duas dezenas de mulheres wikimedistas atuantes em várias frentes do movimento. No mesmo ano, 35% do corpo de pessoas membras e 70% da equipe profissional do Wiki Movimento Brasil eram mulheres[17].

No contexto lusófono, mulheres wikimedistas transitam entre a atuação como editoras voluntárias, membras de grupo de usuárias(os) e trabalhadoras(es) em equipes profissionais. Tudo isso em uma diversidade de papéis: como organizadoras de eventos, tradutoras culturais, gestoras de projetos e comunidades, coordenadoras de programas e de alianças comunitárias, condutoras de planejamento estratégico e de pesquisas sobre o movimento Wikimedia, além de wikipedistas em residência e instrutoras de oficinas e capacitações. A soma dessas atuações conglomera uma série de capacidades não somente técnicas, profissionais e intelectuais, como também aptidões orientadas à criação de comunidades e ações inclusivas que não refletem número de bytes inseridos, edições ou carregamentos: tal qual colaboração entre pares e senso de coletividade, empatia e escuta ativa, política de cuidados e espírito de entreajuda (A Experiência […], [2023]). Essas são características essenciais para um movimento aberto, colaborativo e embasado em conceitos do comum (commons).

A despeito desse tão relevante “trabalho de formiguinha” em direção à equidade de gênero no movimento Wikimedia, existe a percepção da ausência de mulheres editoras na pt.wikipedia vocalizada na afirmação do editor previamente mencionado: “Não existem mulheres...”. Tal percepção é contraposta pela cronologia e dados aqui apresentados, os quais comprovam que, apesar de existirem poucas mulheres editando, elas ainda assim existem. Entretanto, suscita a questão: qual o parâmetro utilizado para aferir essa ausência? Afinal, quando consideramos apenas variáveis mensuráveis por software, a participação das mulheres na Wikipédia lusófona é difícil de ser apreendida. Como quantificar contas de usuárias ativas e suas edições? Ainda é preciso apontar a existência de um quadro problemático: a generalizada indefinição do gênero das contas de usuários(as) Wikimedia – apenas 11% das pessoas editoras ativas entre 2020 e 2023 definiram seu gênero nas preferências de conta, sendo 1% autoidentificadas como “Usuárias” (Definição […], [2023])[18]. Dentro desse universo de definição, ainda assim, apenas 9% das contas estão registradas como sendo do gênero feminino.

Incorporada em 2011, a possibilidade de definição de gênero das contas Wikimedia surgiu como resposta à demanda de wikimedistas falantes de línguas generificadas para a diversificação do gênero gramatical do domínio das contas de pessoas usuárias[19]. Portanto, não compreendeu diretamente o âmbito da identidade, mas da linguagem a ser utilizada pela mediawiki. Na implementação disso, as traduções do domínio “User”, palavra neutra no inglês, consolidaram-se por meio de uma lógica binária. A binaridade se colocou como única alternativa à indefinição de gênero, estabelecida como padrão. Nisso, todas as contas são automaticamente atribuídas como gênero indefinido, até que se haja definição. No português, diante da indefinição, o domínio das contas recém-criadas é “Usuário(a):”. Na eventual definição como gênero masculino, a conta é atribuída ao domínio “Usuário:” e como gênero feminino, ao domínio “Usuária:”[20].

Ainda vigente em 2023, a indefinição por atribuição automática dificulta o censo do gênero das pessoas editoras nas Wikipédias. Em sua origem, a normatização de “Usuário(a)” como domínio identitariamente neutro (remetendo-se a “User:”) responde ao direito à anonimidade na internet. Entretanto, esbarra em duas despreocupações: uma anglófona, com a especificidade das línguas generificadas, e outra wikimedista, com correta atribuição de identidade de gênero. Por sua vez, a binariedade das opções – “female user”, usuária, e “male user”, usuário – de definição de gênero priva pessoas não-binárias da possibilidade de autoidentificação. Todo o exposto dificulta o planejamento estratégico em prol da equidade de gênero, uma vez que cria obstáculos adicionais à representatividade de minorias identitárias no movimento wikimedista.

A despeito das preferências automáticas das contas Wikimedia, existem elementos implícitos que podem indicar se determinada conta pertence a uma editora mulher, pessoa trans ou não-binária, por exemplo, o nome ou nickname, bem como a descrição, categorias e userboxes expostas na página de usuária(o). Todavia, esses dados são mais difíceis tanto de se coletar automaticamente quanto de se perceber dentro das dinâmicas comunitárias dos projetos Wikimedia. Essa “questão de gênero” expressa na estrutura dos domínios e contabilização da composição identitária das contas de usuárias(os) Wikimedia só se tornou visível quando mulheres passaram a discutir isso. Portanto, essa discussão só existe porque existem mulheres nesse meio, pensando criticamente contextos categorias e critérios até então tidos como neutros e universais.

 

A experiência das wikimulheres

Wikimulheres são plurais. Por exemplo, existem mulheres wikimedistas que editam coletivamente os projetos Wikimedia e fazem parte de grupos de usuárias, mas também existem editoras independentes, que editam individualmente a Wikipédia. Existem, ainda, wikipedistas homens que são sensíveis à lacuna de gênero e atuam como editores aliados no combate a ela. A pesquisa “A experiência do movimento de mulheres lusófonas na Wikimedia: uma estima-ativa” abordou e recolheu relatos de pessoas editoras parte desses três grupos distintos, que estiveram ativas no primeiro semestre de 2023. O que se apresenta a seguir é um resumo das conclusões gerais da pesquisa. A metodologia e dados sobre o universo da pesquisa podem ser encontrados no relatório final (A Experiência […], [2023]).

A investigação buscou entender as motivações e aspirações individuais e coletivas de mulheres editoras, bem como os desafios colocados a suas agências. Metodologicamente, a investigação mesclou objetividade e parcialidade por meio de uma epistemologia feminista orientada à Estratégia 2030 do Movimento Wikimedia (Movement [...], [2023]). A estima-ativa contou com a agência das próprias mulheres pesquisadas na construção do consenso sobre os dados levantados. Esse olhar parcial permitiu acessar lugares inconcebíveis por supostas neutralidades, bem como identificar questões e ativar protagonismos possivelmente imperceptíveis por outras metodologias.

Para além de aspectos sobre a wiki-história do movimento de mulheres na Wikipédia, a pesquisa acessou percepções gerais sobre alguns temas, entre eles: hipóteses para a lacuna de gênero da Wikimedia, experiências sociais negativas na Wikipédia, bem como relatos sobre outras desigualdades sociais que influenciam a participação feminina nesse ambiente colaborativo. Sobre a lacuna de gênero, percepções gerais identificaram múltiplos desafios à participação equitativa de mulheres e pessoas gênero-dissidentes na Wikimedia. O principal deles é a desigualdade de gênero, entendida como um fenômeno sócio-histórico amplo e externo que se reproduz internamente nos projetos wiki, especialmente na Wikipédia. Por exemplo, a falta de tempo é um fator crucial tanto para maior dedicação para edições voluntárias (em quantidade e qualidade) quanto para capacitação técnica (que permite melhorar a qualidade do conteúdo produzido e atuar em outras plataformas e em suas intersecções). Todavia, o fato de que mulheres possuem, no geral, menos tempo livre para dedicar a atividades on-line remete-se a uma estrutura global de divisão sexual do trabalho, de histórica sobrecarga feminina de trabalhos (re)produtivos, espelhada e amplificada no meio virtual. Além disso, foram pouco mencionados motivos de cunho individual para a disparidade de participação, não relacionados à questão de gênero – como falta de acessibilidade, de dedicação ou de compromisso individual (A Experiência […], [2023]).

Destrinchando as percepções de cada grupo, existem algumas nuances. Mulheres wikimedistas articularam de forma mais explícita a esfera política envolvida em sua atuação nas plataformas Wikimedia, relacionada às lutas feministas. Elas demonstraram uma compreensão profunda sobre o tema da lacuna de gênero em perspectiva global (on e off-wiki). Sobretudo, destacaram o caráter dual da problemática, que se reflete em termos de conteúdo e participação. A estrutura micropolítica da Wikipédia foi evidenciada como a principal barreira à participação nesse âmbito. Por sua vez, editoras independentes apresentaram uma compreensão mais geral da desigualdade de gênero on-wiki, concentrando-se na lacuna de conteúdo da Wikipédia. Uma minoria delas reconheceu não saber opinar sobre o tema ou, ainda, apontou motivos individuais. Por fim, editores aliados identificaram a hostilidade, a competitividade e a hegemonia masculina como motivos principais (A Experiência […], [2023]).

Em relação à Wikipédia lusófona, a hostilidade generalizada e/ou a falta de apoio comunitário foram recorrentemente apontadas como as principais barreiras à participação de mulheres e gênero-dissidentes. Há uma correlação direta entre essas questões e a hegemonia masculina, que é vista como não receptiva à alteridade humana. Para além da falta de tempo, as narrativas apresentadas por mulheres wikimedistas e editoras independentes explicitaram uma recusa ou desconforto em aderir aos protocolos de comunicação wikipedista. Tais protocolos são supostamente dominados por uma lógica masculina, percebidos como hostis à diferença (A Experiência […], 2023).

A maioria (61%) das pessoas participantes da pesquisa afirmou nunca ter sofrido hostilidade, violência sistemática ou experiências sociais negativas, dentro ou fora de projetos Wikimedia; enquanto um terço (31%) relatou ter vivenciado pelo menos um desses incidentes. Esses resultados não podem ser considerados amostragem significativa de toda a comunidade wikimedista da Lusofonia. Uma pesquisa extensa sobre esse contexto ainda está por fazer. No entanto, algumas informações obtidas desse questionamento revelam situações cotidianas vivenciadas por mulheres que atuam tanto como organizadoras do movimento quanto como editoras na Wikipédia (A Experiência […], [2023]).

No geral, não houve uma diferença significativa nas taxas de resposta afirmativa entre os três grupos pesquisados. Todavia, algumas considerações são importantes, por exemplo: a taxa de pessoas que não souberam responder essa questão foi maior entre as editoras independentes (9%, contra 7% de mulheres wikimedistas e 5% de editores aliados). Também, a ocorrência específica de experiências sociais negativas off-wiki – ou seja, em eventos e canais de comunicação do Movimento Wikimedia – foi maior entre mulheres wikimedistas (61% contra 32% de editoras independentes e 29% de editores aliados). Por um lado, a ocorrência de hostilidade na Wikipédia foi menor para esse mesmo grupo (22% de mulheres wikimedistas contra 36% para cada um dos outros dois grupos), o que reflete a maior intensidade de atuação de mulheres wikimedistas em atividades meta-organizativas, em contrapartida à edição voluntária na enciclopédia (Community [...], 2018). Por outro lado, editoras independentes narraram mais recorrentemente situações de hostilidade, assédio e/ou punições injustificadas na Wikipédia lusófona, o que pode igualmente refletir sua maior atuação nesse espaço (A Experiência […], [2023]).

No que tange a situações experienciadas na Wikipédia lusófona entre os grupos de mulheres pesquisadas, agressividade em páginas de discussão, monitoramento de edições e exclusão de páginas de usuária foram mencionadas. Relatos apontaram com frequência a desvalorização de edições (por meio de reversões) e comportamento arbitrário (propostas de exclusão de artigos). Em menor grau, foram apontadas ameaças de expulsão e sanções, incluindo o bloqueio e a remoção de estatuto de usuária[21]. Ademais, menções ocasionais informam sobre xenofobia e assédio e, mais importante, existe uma percepção geral de maior recorrência de propostas de exclusão de artigos escritos por ou sobre mulheres. De acordo com a experiência de mulheres editoras, é mais provável que artigos relacionados a gênero sejam propostos para exclusão sem a devida diligência e discussão prévia sobre a notoriedade do tópico (A Experiência […], [2023]).

Diante do panorama descrito, é importante mencionar que, entre o grupo de editoras independentes, a pesquisa identificou diferentes interpretações para a possível motivação dessas experiências sociais negativas. Houve aquelas que expressaram a percepção de ter sofrido isso como consequência do preconceito de gênero existente on-wiki. Entretanto, houve também quem considerou que a desigualdade de gênero não teve influência nisso, sendo esse quadro entendido como reflexo do estilo generalizadamente hostil de socialização e comunicação wikipedista. Em última instância, editores aliados relataram ter sofrido hostilidade e violência generalizada, especialmente assédio, doxxing e agressividade nas páginas de discussão. Alguns apontaram que esses problemas resultam das lutas de micropoder de facções ideológicas dentro da comunidade wikipedista. Outros relataram terem sido testemunhas de assédio a mulheres editoras experientes. Diante desse quadro de experiências negativas on e off-wiki, os três grupos pesquisados demonstraram distintos entendimentos sobre a probabilidade de correlação disso com suas identidades de gênero. Entre mulheres wikimedistas, a percepção geral foi que “sim”, também variando minoritariamente entre “provavelmente sim” e “talvez”. Entre editoras independentes, “talvez” foi a probabilidade mais citada. Já entre editores aliados, a maioria declarou que “não”, indicando a percepção de que não houve correlação entre as hostilidades relatadas e sua identidade como homens. Interessou à pesquisa perceber os reflexos da sobreposição de marcadores identitários minoritários na experiência de usuárias e usuários Wikimedia. Para além de gênero, outras desigualdades foram consideradas, como os termos de sexualidade, raça/etnia, neurodiversidade, diversidade geográfica e linguística. Os dados levantados refletiram diretamente a composição do perfil das pessoas participantes, não podendo ser considerados amostra representativa do movimento wikimedista lusófono. Entretanto, as experiências narradas indicam algumas tensões sociais específicas, que ocorrem especialmente na Wikipédia. As principais desigualdades relatadas foram a linguística e geográfica, especialmente com relação às diferenças culturais entre Brasil e Portugal. Em segundo lugar, foram mencionados os preconceitos de sexualidade, seguido por neurodiversidade e classe. Em menor grau, de raça/etnia e diversidade funcional. Metade dos editores aliados e 44% das mulheres wikimedistas relataram ter sua experiência atravessada por outras desigualdades sociais que não a de gênero, já apenas uma minoria (22,7%) das editoras independentes relataram algo nesse sentido. Analisando os relatos, foi possível encontrar narrativas de conflitos entre as culturas brasileira e portuguesa, especialmente em termos de variação linguística e emigração. Tanto pessoas brasileiras quanto portuguesas relataram ter experienciado cerceamento cultural. Houve ainda indicações de barreiras à participação de pessoas periféricas, tanto em relação à Europa quanto aos grandes centros urbanos. Por fim, alguns relatos coadunaram uma percepção de que o ambiente wikipedista é hostil à neurodiversidade, diversidade funcional e desprivilégio em termos de classe social (A Experiência […], [2023]).

MULHER ES EM R EDE

61 Tecendo redes: mulheres editam juntas

Muheres wikimedistas costumam dizer que mulheres editam juntas. Como lembrou uma wikimedista do Uruguai, “Construir conhecimento colaborativo é muito mais do que participar em uma plataforma de software” (Heidel, 2021). É organizar espaços, tecer alianças e criar capacidades individuais e coletivas: é trabalho de cuidado, cultivo e construção. O presente texto é um exemplo disso. Principalmente se tratando da escrita na Wikipédia, a colaboração sincronizada de wikimedistas em torno da inclusão de conhecimento sub-representado representa uma característica fundamentalmente comum dos espaços de atuação feminista, pois, como afirma uma wikimedista do México, o conceito-ação “Editatona é a resposta feminista para combater a lacuna de gênero na Wikipédia” (Meet [...], 2021). No caso do movimento organizado de mulheres editoras da Wikipédia lusófona, a colaboração é transnacional, especialmente entre Brasil e Portugal.

É importante situar que pessoas brasileiras e portuguesas representam quase a totalidade da comunidade editora da Wikipédia lusófona. Conforme comenta a Carta de intenções da Festa da Wiki-Lusofonia de 2021 (Festa […], [2021]), é flagrante a assimetria de representatividade entre os países falantes de português. De acordo com a consulta ao “Stats” da Wikimedia, em abril de 2021, é minoritária a atuação de pessoas editoras de Angola e Moçambique (>1%) em comparação a Brasil (86%) e Portugal (13%). Frente a isso, a carta destacou a prioridade de “construir pontes” com outras comunidades lusófonas. Diante disso, destaca-se o trabalho de articulação das Wiki Editoras Lx no apoio e capacitação de um novo grupo de mulheres editoras em Angola, o Wiki Luanda, esforço que diversifica a colaboração em torno do Atlântico e da questão de gênero, aprofundando a transcontinentalidade característica do movimento wikimedia lusófono.

A transnacionalidade é uma das consequências do fenômeno da globalização, em que as relações humanas – em termos sociais, culturais e políticos – transcendem as limitações territoriais geográficas estabelecidas historicamente por processos coloniais. Na perspectiva de Fraga, os meios de comunicação são pré-requisito essencial para a estruturação e consolidação de processos. Nesse cenário, o ambiente digital se torna o fio condutor que conecta a pluralidade de visões que constroem o trabalho de diferentes grupos que discutem a temática de gênero e feminismos. Tendo em vista a necessidade de que as pessoas que fazem frente nessas iniciativas se localizem em novos contextos de forma dialógica, um comprometimento colaborativo é necessário (Fraga, 2022).

Um marco histórico da articulação transnacional dos movimentos de mulheres foi a primeira Marcha Mundial das Mulheres (MMM) contra a violência e a pobreza, em 2000. Proposta pela Federação das Mulheres de Quebec (FFQ), do Canadá, a ação coletiva germinou como um protesto contra a falta de aplicação prática das promessas contidas nas declarações oficiais dos organismos (inter)governativos, no que diz respeito à erradicação das discriminações e às violações de direitos humanos de que as mulheres são objeto. Na intenção de verem concretizados os planos de ação assinados em tais ocasiões, mulheres por todo o mundo recolocaram suas ações de rua e mobilizações com o intuito de pressionar as mudanças almejadas (Mond, 2003). Na visão de Mond (2003, p. 638),

A estrutura flexível, mas ao mesmo tempo funcional à realização de uma campanha unitária em nível mundial, permitiu à Marcha experimentar novas formas de organização, de decisão e de gestão da diversidade. A auto-organização e o autofinanciamento das coordenações nacionais, além de sua ampla autonomia político-organizativa (no interior de um quadro dado nos momentos de coordenações mundiais), consentiram relações de troca e parceria entre as componentes do Norte e do Sul dessa rede. Não se trata, de fato, de uma rede de solidariedade das mulheres do Norte para com as do Sul, mas de movimentos que se vinculam porque lutam, em suas casas, contra uma trama de sistemas globalizados e suas consequências na vida cotidiana das mulheres.

Diante disso, destacamos a importância dos espaços de encontro, comunicação e articulação internacional, assim como sua manutenção, em prol da realização de projetos comuns entre pessoas que se disponham às temáticas de gênero e movimentos feministas.

As ações realizadas por mulheres wikimedistas lusófonas feministas, desde sua estruturação interna até as práticas e eventos realizados, caracterizam-se pela organização e pela participação colaborativas, que, em sua essência, superam fronteiras nacionais. A auto-organização de grupos lusófonos do Norte e do Sul Globais, interligados por relações de troca, parceria e vínculo, se articulam em torno de lacunas de conhecimento nas plataformas Wikimedia a de experiências compartilhadas, apesar das diferenças culturais e contextuais.

Desde o início das discussões sobre a lacuna de gênero na Wikipédia em português, foram organizadas ações de inclusão de conhecimento e organização wikimedista, geralmente de maneira transcontinental, ou seja, não apenas em contexto brasileiro, mas voltado à toda a lusofonia. Até 2023, a participação de países africanos falantes de português ainda é minoritária. A transnacionalidade refletiu, inclusive, na composição luso-brasileira dos grupos de usuárias WELx e WM+. Aliada à confluência de diferentes territórios e culturas, os grupos mencionados também têm como característica principal a interseccionalidade, o que quer dizer que, ainda que gênero seja a categoria que em primeira instância unifica as pessoas, nesse contexto, essa pauta não limita a multiplicidade de suas perspectivas e atuações. Assim, também as lacunas de raça e etnia, a sub-representação de dissidências sexuais e de gênero e os debates sobre diversidade funcional são consideradas pautas aliadas da luta das mulheres.

O conceito de interseccionalidade que guia os grupos WELx e WM+, bem como o Projeto Mais+, tem por base a práxis crítica feminista. No prelo do que sintetiza Patricia Hill Collins e Sirma Bilge, a interseccionalidade não é uma estrutura pronta, mas uma ferramenta tanto analítica como política. Nesse sentido, é uma “forma de práxis crítica” que, inclusive, extrapola sua definição genérica como “forma de investigação crítica” (Collins; Bilge, 2020, p. 52-53). Tal caráter dual de interseccionalidade pode ser observado nas atividades e publicações associadas às membras dos grupos e projeto citados, que mesclam ativismo, ensino e pesquisa (A Experiência, [2023]; Cappelletto; Bragança, 2020; Wikipédia:Projeto [...], [2023]).

 

Conclusão

Ao escrever este capítulo, abrimos mão da pretensão de apresentar uma panaceia para as variadas e profundas questões que geram a desigualdade de gênero em termos de conteúdo e participação na Wikimedia. Alternativamente, buscamos reconhecer e escrever sobre a história de atuação de mulheres wikimedistas lusófonas e suas iniciativas que, no trabalho de ampliação e de melhoria do conhecimento livre, ousaram construir colaborativamente espaços mais inclusivos e diversos social, cultural e territorialmente nas plataformas Wikimedia e seu entorno. Inclusive, almejamos fazer a curadoria de memórias sobre mulheres que contribuíram apenas no início das atividades relacionadas à questão de gênero e que, por inúmeras razões, não mais estão atuantes. Identificar trajetórias do passado nos confere a esperança de indicar possíveis caminhos para o futuro próximo. Esse futuro sonhado guarda a possibilidade de que todas aquelas pessoas que queiram se juntar ao atual movimento organizado de mulheres possam o fazer sem as muitas barreiras que já foram enfrentadas.

Para além do lócus de encontro e diálogo, é necessário criar e nutrir espaços que sejam seguros, inclusivos e audazes, com base nas boas práticas feministas e anti-opressão na Wikimedia. Essas práticas são um esforço coletivo – fundamentado pelas experiências próprias, informadas e solidárias – de diversas intersecções de identidade que ultrapassam as redes feministas (Art+Feminism [...], [2023]; Evans et al., 2020; Vrana; Sengupta; Bouterse, 2020). Enquanto a política de criação de espaços seguros e audazes tem como objetivo garantir a participação de todas as pessoas, a manutenção desses espaços busca possibilitar a permanência destas. Essa política é fundamental para que novas pessoas se sintam encorajadas a contribuir com os projetos Wikimedia e, mais além, para que pessoas contribuidoras consigam ocupar os espaços de decisão e assumir posições de liderança. Esse empoderamento comunitário perpassa necessariamente a busca pela inclusão da diversidade humana em todos os seus aspectos.

 

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WIKIPÉDIA:Edit-a-thon/Atividades em português/Editathon das Minas - Salvador 2015. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2015c]. Disponível em: https://w.wiki/7idS. Acesso em: 30 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Edit-a-thon/Atividades em português/Editatona Artes+Feminismos - Arte e Arquivo. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2020b]. Disponível em: https://w.wiki/7idd. Acesso em: 30 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Edit-a-thon/Atividades em português/Editatona Artes+Feminismos - Arte e Trabalho. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2020c]. Disponível em: https://w.wiki/7ide. Acesso em: 30 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Edit-a-thon/Atividades em português/Editatona Artes+Feminismos - Arte Trans. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2020d]. Disponível em: https://w.wiki/aRK. Acesso em: 30 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Edit-a-thon/Atividades em português/Editatona Artes+Feminismos - Luta das Mulheres. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2021b]. Disponível em: https://w.wiki/7idk. Acesso em: 30 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Edit-a-thon/Atividades em português/Editatona Artes+Feminismos Maternagens. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2021c]. Disponível em: https://w.wiki/7ido. Acesso em: 30 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Edit-a-thon/Atividades em português/Editatona Mais Mulheres Na Tecnologia - PrograMaria (São Paulo). WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2019]. Disponível em: https://w.wiki/7iXX. Acesso em: 30 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Edit-a-thon/Atividades em português/IMS Artes Feminismos II. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2020e]. Disponível em: https://w.wiki/7idb. Acesso em: 30 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Projeto Mais Teoria da História na Wiki/2022. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2023]. Disponível em: https://w.wiki/7dk6. Acesso em: 30 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Tipos de Usuários. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2023]. Disponível em: https://w.wiki/7di$. Acesso em: 30 set. 2023.
WIKIPÉDIA:Wikipédia como ferramenta de ensino-aprendizagem na Universidade/Quem somos. WIKIPEDIA: the free encyclopedia. [San Francisco, CA: Wikimedia Foundation, 2023]. Disponível em: https://w.wiki/79Cy. Acesso em: 30 set. 2023. Apêndice A TABELA 1 Tabela de eventos

Data Título Local Organização Participantes
Mar. 2013 Edit-a-thon no Dia Internacional da Mulher São Paulo, Brasil Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil, WMF 15
Abr. 2014 Edit-a-thon das Minas São Paulo, Brasil Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil, Think Olga 25
Mar. 2015 Art+Feminism Edit-a-Thon em Portugal Lisboa, Portugal A+F, WMF 25
Mar. 2015 Dia Internacional da Mulher - Mulheres na Tecnologia Online WoMoz Brasil, Grupo Wikimedia Brasileiro de Educação e Pesquisa 7
Jun. 2015 Editathon das Minas Rio de Janeiro, Brasil 13
Jul. 2015 Editathon das Minas Salvador, Brasil 6
Mar. 2016 Mes da Mulher 2016 Rio de Janeiro e São Paulo, Brasil Grupo Wikimedia Brasileiro de Educação e Pesquisa 7
Mar. 2016 Edit-a-thon Mulher e Mídia São Paulo FCL, WMB 15
Abr. 2016 Editatona {I} Mulheres na Wikipédia Rio de Janeiro, Brasil Voluntárias 13
Nov. e Dez. 2016 BBC World News - 100 Mulheres Online, Rio de Janeiro e São Paulo, Brasil BBC, WEB 16
Dez. 2016 Editatona 16 dias de Ativismo Salvador, Brasil 5
Mar. 2017 16 Wiki Women Online WEB, WMF 6
Mar. 2017 Primeiro Edit-a-thon Arte+Feminismo em Caldas da Rainha Caldas da Rainha, Portugal A+F, WMF
Ago. 2017 Mulher e Mídia II São Paulo, Brasil FCL / WMB (apoio FAPESP) / FFCL 15
Out. 2017 Día de las Escritoras 2017 Madrid, Espanha Wikimedia España, WMB
Dez. 2017 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência de Gênero Salvador, Brasil Coletivo Periféricas
Meninas Digitais
Gig@ UFBA
MulherADA TI
Pretas Hackers
3
Dez. 2017 Oficina Julho das Pretas Salvador, Brasil Periféricas, Blogueiras Negras e Ciberfeministas Negras - Jan. 2018 Maratona de Edição MCCLA 1 Lisboa, Portugal Associação Portuguesa
de Mulheres Cientistas, Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, Museu Internacional da Mulher, CICS.NOVA, WMPT
4
Mar. 2018 Artes+Feminismos na Lusofonia 2018 Mulher, Arte e Mídia III São Paulo, Brasil FCL, WMB, A+F 75
Mar. 2018 Artes+Feminismos na Lusofonia 2018 - MIMA MCCLA BNP 2018 Lisboa, Portugal Grupo MCCLA, Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas, Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, Museu Internacional da Mulher, CICS.NOVA, Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, CEMSD, WMPT, Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, A+F 5
Mar. 2018 Artes+Feminismos na Lusofonia 2018 - Uma Homenagem às Mulheres nas Artes Ilha da Madeira, Portugal Polo da Madeira do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, Cátedra Infante Dom Henrique, WMPT, Câmara Municipal do Funchal, Associação Cultural e de Solidariedade Social Raquel Lombardi, A+F 4
Mar. 2018 Artes+Feminismos na Lusofonia 2018 - MCCLA Lisboa 2018 Lisboa, Portugal Grupo MCCLA, Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas, Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, Museu Internacional da Mulher, CICS.NOVA, Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, CEMSD, WMPT, Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, A+F 19
Mar. 2018 Artes+Feminismos na Lusofonia 2018 - As Mulheres da/na Madeira Ilha da Madeira, Portugal Polo da Madeira do Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, Cátedra Infante Dom Henrique, WMPT, Câmara Municipal do Funchal, A+F 14
Mar. 2018 Artes+Feminismos na Lusofonia 2018 - AF Coletiva São Paulo 2018 São Paulo, Brasil A+F 3
Mar. 2018 Artes+Feminismos na Lusofonia 2018 - Brasília Brasília, Brasil Embaixada da Suécia em Brasília, IPEA, WMB, A+F 10
Mar. 2018 Artes+Feminismos na Lusofonia 2018 - Ilhéus Ilhéus, Brasil WMB, A+F
Mar. e Abr. 2018 A mulher que você nunca conheceu 2018 Online WMPT, WMB, Wikimedia Iberocoop 14
Mar. 2018 Arte+Feminismo 2018 - São Paulo (2) São Paulo, Brasil WEB, Intermuseus, A+F 13
Mar. 2018 Arte+Feminismo 2018 - São Paulo São Paulo, Brasil WEB, InternetLab, A+F
Mar. 2018 Arte+Feminismo 2018 - Rio de Janeiro Rio de Janeiro, Brasil WEB, Museu Histórico Nacional, A+F - Mar. 2018 Arte+Feminismo 2018 - Rio Branco Rio Branco, Brasil WEB, A+F
Mar. 2018 Arte+Feminismo 2018 - Porto Alegre Porto Alegre, Brasil WEB, Matehackers, A+F
Mar. 2018 Arte+Feminismo 2018 - Brasília Brasília, Brasil WEB, A+F
Mai. 2018 Mulheres Defensoras dos Direitos Humanos São Paulo, Brasil WEB, Anistia Internacional Brasil 153
Jun. 2018 Mulheres na Ciência Porto Alegre, Brasil Departamento de Matemática Pura e Aplicada (DMPA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul 6
2018.1 Teoria da História na Wikipédia Florianópolis, Brasil Projeto Mais+ 10
2018.2 Teoria da História na Wikipédia Florianópolis, Brasil Projeto Mais+ 7
2019.1 Teoria da História na Wikipédia Florianópolis, Brasil Projeto Mais+ 10
Feb. 2019 Maratona Arte+Feminismo 2019 Casa das Rosas - São Paulo São Paulo, Brasil WEB, A+F 26
Mar. 2019 Artes+Feminismos 2019 - ILGA Portugal Lisboa, Portugal ILGA Portugal, A+F 3
Mar. 2019 Artes+Feminismos 2019 - MIMA Lisboa, Portugal Museu Internacional da Mulher Associação, A+F 3
Mar. 2019 IMS Wiki Artes+Feminismos I 2019 São Paulo, Brasil IMS, A+F, WMB 27
Mar. 2019 Maratona Artes+Feminismos na Lusofonia 2019 - São Paulo - Mulher, Arte e Mídia IV São Paulo, Brasil WMB, FCL, FFCL, A+F 10
Mar. 2019 Editatona #MaisMulheresNaTecnologia - PrograMaria São Paulo, Brasil WMB, PrograMaria 41
Mar. 2019 Maratona Arte+Feminismo 2019 Mulheres na Saúde Rio de Janeiro, Brasil CCMS, A+F, WEB 1
Jun. 2019 Editatona #WikiFutFeminino São Paulo, Brasil Museu do Futebol, Olga Bagatini, WMB 21
Ago. 2019 II Editatona #WikiFutFeminino São Paulo, Brasil Museu do Futebol, Olga Bagatini, WMB 13
Ago. 2019 Maratona Arte+Feminismo 2019 Sesc São Caetano São Paulo, Brasil SESC, A+F, WEB 7
Out. 2019 III Editatona #WikiFutFeminino São Paulo, Brasil Museu do Futebol, Olga Bagatini, WMB 10
Mar. 2020 Editatona 8M: Artivismo. Juntas Editamos a Wikipédia Lisboa, Portugal WELx, WMF 25
Mar. 2020 Maratonas Artes+Feminismos na Lusofonia 2020 - USCS Wiki
Mulher+Memória+Grande ABC 2020
On-line USCS, WMB, A+F 6
Mar. 2020 Maratonas Artes+Feminismos na Lusofonia 2020 - Mulher, Arte e História I On-line MP, WMB, A+F 40
Mar. 2020 Maratonas Artes+Feminismos na Lusofonia 2020 - IMS Artes Feminismos II On-line NaPupila, EAV, IMS, WMB, A+F 18
Abr. 2020 Mulheres, arte e migração On-line MIESP, A+F 28
Mai. 2020 Editatona Artes+Feminismos - Arte e Trabalho On-line NaPupila, WMB 27
Jul. 2020 Editatona Artes+Feminismos - Arte e Arquivo On-line NaPupila, WMB 23
Ago. 2020 Práticas Interseccionais - Arte Trans On-line NaPupila, WMB, A+F, Secec/RJ, Brume Dezembro 22
Out. 2020 Editatona Twitter On-line Twitter Brasil, WMB 26
Mar. 2021 Artes+Feminismos na Lusofonia 2021 - Editatona Artes+Feminismos: Luta das Mulheres On-line NaPupila, WMB, WELx, A+F 19
Mar. 2021 Artes+Feminismos na Lusofonia 2021 - Tecendo redes: onde estão xs editorxs da Wikipédia em português? On-line WELx, WMB
Mai. 2021 Capacitação de usuárias On-line WMB, WMF, A+F, WiR, WK? 32
Jun. 2021 Editatona Artes+Feminismos: Maternagens Online NaPupila, WMB, A+F 14
Jun. 2022 GLAM Bibliotecas da USP - 1Lib1Ref (2022) São Paulo, Brasil GLAM Bibliotecas da USP, WMB, WMF 9
Set. 2022 Editatona Women in Bioinformatics and Data Science LA On-line Women in Bioinformatics and Data Science LA, WMB, WMAR, WMMX 4
2022.1 Teoria da História na Wikipédia Florianópolis Projeto Mais+ 8
2022.2 Teoria da História na Wikipédia Florianópolis Projeto Mais+ 6
2023.1 Teoria da História na Wikipédia Florianópolis Projeto Mais+ 6
Jan. 2023 Editatona BBC 100 Mulheres On-line WM+, WMB, WELx, A+F 18
Fev. 2023 Mulheres na Cultura On-line WMPT, WELx, WMF 19
Mar. 2023 Desbravadoras: Editatona Mulheres nas Ciências On-line Aliança Francesa Brasil, WMB 8

Fonte: elaborado pelas autoras.

 

  1. Após aprovação como Capítulo Wikimedia (organização independente e sem fins lucrativos dedicada a apoiar a Wikipédia), o Wiki Movimento Brasil passou a se chamar Wikimedia Brasil, mantendo-se a sigla.
  2. Ver em: A Experiência […] ([2023]).
  3. Montado pelas autoras com base em Wikipédia [...] ([2023]).
  4. Com base em: Wikipédia [...] ([2023]). *Atividades registradas até março de 2023.
  5. A plataforma Diff foi criada em 2020 para concentrar os conteúdos já presentes no Wikimedia Blog, na Wikimedia Foundation News e na Wikimedia Space (Diff, [2023]).
  6. O evento não ocorreu no Dia Internacional das Mulheres, mas somente em abril.
  7. Também então conhecido Programa Catalisador do Brasil. A atividade contou com o apoio da Fundação Wikimedia (Dia […], 2014).
  8. A atividade foi organizada por Anaoak (nome de usuário da pessoa organizadora).
  9. O evento foi organizado por Tila Cappelletto, hoje membra das WELx e WM+. Ocorreu no espaço Penhasco e contou com a participação de Lucia Furtado, cofundadora da Associação de Mulheres Negras, Africanas e Afrodescendentes em Portugal (Femafro).
  10. Giovanna Fontenelle e Érica Azzellini, hoje também membras do WM+.
  11. Organizado pelas wikimedistas Contaminadas, RitaFMatos e Anita Braga.
  12. Marielle teve seu verbete excluído da Wikipédia lusófona por não ser considerada uma mulher notável, segundo as regras editoriais da Wikipédia em português. Somente depois de seu brutal assassinato e de sua repercussão midiática, ela pôde estar representada na enciclopédia. Ver também: Vrana (2018).
  13. Também administradora da Wikipédia em espanhol e então presidente do Conselho de Administração da Fundação Wikimedia.
  14. A apresentação explicou os diferentes tipos de financiamentos possíveis junto à fundação, bem como algumas estruturas desta, como os grupos de usuários.
  15. Isso ouviu uma das autoras, na sessão “Construir uma Wikimedia mais aberta a novas pessoas contribuidoras” da Wiki Con Brasil 2022 (Wikicon [...], [2022]). O comentário, todavia, não ficou registrado em ata.
  16. Metade das pessoas participantes eram mulheres, conforme informado pela equipe de organização na sessão de abertura da conferência (Wikicon [...], [2022]).
  17. Trinta e cinco por cento, segundo a lista de membros associados em 19 de julho de 2023 (Wikimedia Brasil, 2023a); e 65%, segundo a listagem da equipe profissional (Wikimedia Brasil, 2023b). O grupo definiu, em 2019, em seu plano de diversidade, aumentar a participação das mulheres para 50% no longo prazo (Wikimedia Brasil, 2022).
  18. A pesquisa “A experiência do movimento de mulheres lusófonas na wikimedia: uma estima-ativa” observou que quanto mais ativa e experiente é uma pessoa editora, maior é a probabilidade de que ela tenha definido gênero nas suas preferências de conta.
  19. A diversificação de gênero gramatical para língua generificadas foi implementada na versão 1.18 do mediawiki, lançada em novembro de 2011 (Mediawiki, [2011]), apesar dessa discussão ter surgido no translatewiki.org em 2009 (Talk […], 2009).
  20. A adequação no português ocorreu em 2011 (He7d3r, 2011).
  21. Os estatutos, direitos de acesso ou privilégios de contas de usuários(as) na Wikipédia lusófona são uma forma de distinção social dentro da comunidade, que dão diferentes direitos de acesso e ação dentro da plataforma. A depender da natureza, podem ser outorgados pela comunidade, via petição ou votação, concedidos por administradores ou automaticamente atualizados de acordo com requisitos pré-determinados (Wikipédia:Tipos […], [2023]).