Poesias (Zaluar)/10

POESIA X.

 

A ORPHÃ.[1]

 

Pauvre orpheline!

 

Pobre orphã! tão cedo hei já perdido
Meu pae e minha mãe, que eu tanto amava!
Nenhuma espr′ança tenho neste mundo,
Que as esp’ranças não são p’ra a desgraçada !

Eu vivo como a folha do salgueiro.
Do tronco, pelos ventos, arrancada;
Pobre folha, que vaga pelos ermos
Sem destino, sem rumo, abandonada!

Quando sinto o gemer d’alguma fonte,
Da brisa, entr’ as ramas, o carpir.
Minha mãe se me affigura, que me chama!
É de meu pae a voz, que eu julgo ouvir!

E vou sentar-me triste e pensativa
A porta solitaria do meu lar;
Os sonhos do passado me acalentam,
Mas saudades me vem desenganar.

Não conheço ninguem n’este deserto,
Por companhia tenho os prantos meus!
A imagem de meu pae, que me contempla!
E minha mãe, que me chama lá dos Céos!

Um farol d’esp’rança inda me guia !
A morte!... a morte! sim! quero morrer!
A vida é para amor, é p’ra ventura,
A pobre orphã não sabe o que é viver!

Aqui sobre esta cruz tenho chorado
Prantos de fogo! lagrimas ardentes!
Mas sinto alfim a mão, que me liberta;
Vejo findar meus dias innocentes !

Oh! restos venerandos de meus paes!
Restos sanctos! —oh! sombras lacrimosas! —
Vereis murchar meus dias n’esta campa,
Como esfolhadas murcham estas rosas!

 

Todas as obras publicadas antes de 1.º de janeiro de 1930, independentemente do país de origem, se encontram em domínio público.


A informação acima será válida apenas para usos nos Estados Unidos — o que inclui a disponibilização no Wikisource. (detalhes)

Utilize esta marcação apenas se não for possível apresentar outro raciocínio para a manutenção da obra. (mais...)

 
  1. Esta poesia já sahio impressa.