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Graciliano Ramos

um fio de baba que lhe pendia do beiço. Estava era tonto, com uma zoada infeliz nos ouvidos. Ia jurar que mostrara valentia e correra perigo. Achava ao mesmo tempo que havia commettido uma falta. Agora estava pesado e com somno. Emquanto andara fazendo espalhafato, a cabeça cheia de aguardente, desprezara as esfoladuras dos pés. Mas esfriava, e as botinas de vaqueta maguavam-no em demasia. Arrancou-as, tirou as meias, libertou-se do collarinho, da gravata e do paletot, enrolou tudo, fez um travesseiro, estirou-se no cimento, puxou para os olhos o chapeo de baeta. E adormeceu, com o estomago embrulhado.

Sinha Victoria achava-se em difficuldade: torcia-se para satisfazer uma precisão e não sabia como se desembaraçar. Podia esconder-se no fundo do quadro, por detraz das barracas, para lá dos tamboretes das doceiras. Ergueu-se meio decidida, tornou a acocorar-se. Abandonar os meninos, o marido naquelle estado? Apertou-se e observou os cantos com desespero, que a precisão era grande. Escapuliu-se disfarçadamente, chegou á esquina da