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obras de graciliano ramos

Sentiu vontade de gritar, de anunciar muito alto que êles não prestavam para nada. Ouviu uma voz fina. Alguém no xadrez das mulheres chorava e arrenegava as pulgas. Rapariga da vida, certamente, de porta aberta. Essa também não prestava para nada. Fabiano queria berrar para a cidade inteira, afirmar ao doutor juiz de direito, ao delegado, a seu vigário e aos cobradores da prefeitura que ali dentro ninguém prestava para nada. Êle, os homens acocorados, o bêbedo, a mulher das pulgas, tudo era uma lástima, só servia para agüentar facão. Era o que êle queria dizer.

E havia também aquêle fogo-corredor que ia e vinha no espírito dêle. Sim, havia aquilo. Como era? Precisava descansar. Estava com a testa doendo, provàvelmente em conseqüência de uma pancada de cabo de facão. E doía-lhe a cabeça tôda, parecia-lhe que tinha fogo por dentro, parecia-lhe que tinha nos miolos uma panela fervendo.

Pobre de sinha Vitória, inquieta e sossegando os meninos. Baleia vigiando, perto da trempe. Se não fôssem êles...

Agora Fabiano conseguia arranjar as idéias. O que o segurava era a família. Vivia prêso como um novilho amarrado ao mourão,

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