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va-lhe na cabeça e saía. Era para um cristão endoidecer. Se lhe tivessem dado ensino, encontraria meio de entendê-la. Impossível, só sabia lidar com bichos.
Enfim, contanto... Seu Tomás daria informações. Fôssem perguntar a êle. Homem bom, seu Tomás da bolandeira, homem aprendido. Cada qual como Deus o fêz. Êle, Fabiano, era aquilo mesmo, um bruto.
O que desejava... An! Esquecia-se. Agora se recordava da viagem que tinha feito pelo sertão, a cair de fome. As pernas dos meninos eram finas como bilros, sinha Vitória tropicava debaixo do baú dos trens. Na beira do rio haviam comido o papagaio, que não sabia falar. Necessidade.
Fabiano também não sabia falar. Às vezes largava nomes arrevesados, por embromação. Via perfeitamente que tudo era besteira. Não podia arrumar o que tinha no interior. Se pudesse... Ah! Se pudesse, atacaria os soldados amarelos que espancam as criaturas inofensivas.
Bateu na cabeça, apertou-a. Que faziam aquêles sujeitos acocorados em tôrno do fogo? Que dizia aquêle bêbedo que se esgoelava como um doido, gastando fôlego à toa?