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obras de graciliano ramos

to que tinha era ficar. E o patrão aceitara-o, entregara-lhe as marcas de ferro.

Agora Fabiano era vaqueiro, e ninguém o tiraria dali. Aparecera como um bicho, entocara-se como um bicho, mas criara raízes, estava plantado. Olhou os quipás, os mandacarus e os xiquexiques. Era mais forte que tudo isso, era como as catingueiras e as baraúnas. Êle, sinha Vitória, os dois filhos e a cachorra Baleia estavam agarrados na terra.

Chapechape. As alpercatas batiam no chão rachado. O corpo do vaqueiro derreava-se, as pernas faziam dois arcos, os braços moviam-se desengonçados. Parecia um macaco.

Entristeceu. Considerar-se plantado em terra alheia! Engano. A sina dêle era correr mundo, andar para cima e para baixo, à toa, como judeu errante. Um vagabundo empurrado pela sêca. Achava-se ali de passagem, era hóspede. Sim senhor, hóspede que se demorava de mais, tornava amizade à casa, ao curral, ao chiqueiro das cabras, ao juàzeiro que os tinha abrigado uma noite.

Deu estalos com os dedos. A cachorra Baleia, aos saltos, veio lamber-lhe as mãos

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