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pa encarnada de sinha Vitória provocaria a inveja das outras caboclas.
A lua crescia, a sombra leitosa crescia, as estrêlas foram esmorecendo naquela brancura que enchia a noite. Uma, duas, três, agora havia poucas estrêlas no céu. Ali perto a nuvem escurecia o morro.
A fazenda renasceria — e êle, Fabiano, seria o vaqueiro, para bem dizer seria dono daquele mundo.
Os troços minguados ajuntavam-se no chão: a espingarda de pederneira, o aió, a cuia de água e o baú de fôlha pintada. A fogueira estalava. O preá chiava em cima das brasas.
Uma ressurreição. As côres da saúde voltariam à cara triste de sinha Vitória. Os meninos se espojariam na terra fôfa do chiqueiro das cabras. Chocalhos tilintariam pelos arredores. A catinga ficaria verde.
Baleia agitava o rabo, olhando as brasas. E como não podia ocupar-se daquelas coisas, esperava com paciência a hora de mastigar os ossos. Depois iria dormir.