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bro, que um dia resolveu quebrar as tradições da familia, tomando uma grande resolução. O proprietario de um grande hotel, numa villa de aguas, desejava pôr lavoura; o sr. Almeida deu o que tinha pelo hotel e freguezia, e despediu-se definitivamente do ermo agricola. Não vira solução mais acertada para seu caso melindroso. Pois um hotel, em tal ponto, é frequentado pelo escol da sociedade carioca e paulista, e alli, pondo á vista dos pensionistas as nove virtudes guerreiras enrijadas na vida da roça, não lhe seria difficil achar bons partidos matrimoniaes.
E lá se foram. Infelizmente, porém, o Grande Hotel andava desconceituado. O dono alienara-o para livrar-se do alcaide. Tinha o predio corredores immensos, quartos sem conta, refeitorios amplos, era todo largueza e amplidão, mas não appareciam veranistas que lhe viessem despertar o silencio claustral, animando aquelles corredores, longos e vazios como arterias cortadas, com um pouco de sangue corrente de gente viva. Mais cogitativo que nunca, e a recoçar o queixo, o sr. Almeida resolveu installar a um