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GODOFREDO RANGEL

ra fóra, enfiou o rolete no bolso. Estava agitado, cogitabundo; por fim voltou-se para meu lado e disse:

— Não sei se o José virá hoje; se o dr. permitte, vou á casa delle saber.

— Pois não!

Americo calcou até ás orelhas um chapéo abudo, tomou um bengalão que figurava uma cobra enroscada num tronco — obra prima de seu canivete ― e dirigiu-se para a cancella, que fechou sobre si.

José era um alumno, ou melhor, o alumno. Porque Americo ensinava. O quê, não sei. Por um certo pudor, se eu me avizinhava quando estava leccionando, elle parava, e por nada no mundo continuaria á minha vista, como quem se considera muito humilde para tão nobre empresa. A verdade é que no commodo de negocio, logar das aulas, eu via á hora da licção profusas bolas de tabatinga, de varios tamanhos, que representavam, talvez, os planetas conhecidos — o que me fazia temer pelo miolo do seu catechúmeno.

Embora admittido gratis, era o José tratado com todas as considerações.