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— Então exgottaram-se os aperitivos preliminares, acabou-se a phase preparatoria. E՚ a grande hora. Ageitamos a victima para o sacrificio. Vamos saborear a agonia physica depois do soffrimento moral. Sedentos de sangue, e com o phrenesi de um lascivo sedento de amor, cravamos-lhe os dentes agudos no pescoço. Ha um ganir de dor deliciosamente cruciante. Nervosamente afastamos com o focinho o lanho de carne arrancada, e applicamos a bocca sanguisedenta bem ao fundo da chaga, no esguicho da arteria rompida; empurramos o focinho soffrego até se justapor á ruptura dos tecidos, para que nós e a victima façamos um só todo, um caso delicioso de xyphopagia, de hermaphroditismo de nova especie, em que em vez da volupia se bebe a vida. Está formado o novo e extranho sêr! Somos um! E nos nossos braços felpudos, que embalam e dominam, sentimos a victima barafustar impotente, com excitantes ralos de agonia, toda fremente, a estrebuchar, fazendo, a cada arranco, que o sangue borbote em golfadas mais vívidas; e, quando o corpo afrouxado dá de esmorecer, num colla-