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Ao Café
Fomos ao café. Atravessando a casa, aspirei com prazer o rescender a vassoura verde, que impregnava o ambiente, deixado pela varredura da manhã. Outras conhecidas notas caseiras vinham augmentar minha sensação de tranquillidade e bem estar: cacarejos e pios no quintal, chios de filhotes de morcego entre a fuligem da telha van. Entrevi em sua placa o velho papagaio sorumbatico.
Na larga mesa da sala de entrada já estava o bule fumegante, rodeado de pequenas canecas de louça e tigelinhas desbeiçadas, com lettreiros: "Saudade", "Amizade", tudo sobre uma grande salva de prata, ultima alfaia preciosa dos velhos tempos de abastança, reliquia de familia, que desde epocha immemorial vinha de paes a filhos. "Minha cadeira", forrada com um couro de cachorro do matto, fôra removida para alli. Ouviu-se na cozinha um