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Penetrando a sala de entrada, depuz o chapéo sobre uma mesa, negra de uso, chata e larga, d՚esse estylo esparramado dos antigos estrados e arcas de guardar cereaes. Relanceei as paredes fuliginosas, cobertas de desenhos de grandes peixes: dourados ao natural, piabas de tres palmos, mandys gigantes ainda com os ferrões alvoroçados e as barbatanas em leque, promptos para a defesa -- registro fiel das felicidades de pesca do velho Prospero, que Americo perpetuara sobre a cal, a carvão e urucu՚. Cada peixe grande tirado do rio, antes de ir para a panella fazia escala ante o artista primitivo, que lhe debuxava a effigie na parede.
Abracei os velhos, que tropegamente vieram ao meu encontro.
— Então, como vamos de doenças? perguntei-lhes, encetando o assumpto obrigatorio á chegada, questão preliminar, como dizemos em nossa gyria forense (penso não haver dito ainda que sou bacharel, e juiz em um termo sertanejo).
— Ah, dr. Felix! Andamos cheios de "não presta!" exclamou a mulher.