Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/62
doutor matar uma capivara!" Afinal esse dia chegou. A matta virgem alastrava até tão perto da fazenda, que á tarde urús e inhambús vinham mariscar no terreiro, confraternizando com as gallinhas e marreços da creação domestica. As capivaras, então, eram uma praga. Uma tarde foi visto um casal d՚ellas á beira do açude, ao fundo da horta. "Pegue na espingarda, dr. Philippe, e venha!" disse o velho. Foram até o açude. A՚ sua chegada os grandes roedores mergulharam promptamente na agua negra. Certo momento appareceu um focinho à tona, bem perto do dr. Philippe. Elle atira á queima-bucha: "Má-raios!" Outro tiro — por um milagre acerta. A cachorrada encarrega-se de tirar d՚agua o animal ferido, e summariamente o acaba ás dentadas. O dr. ficou radiante da façanha. Então o velho Prospero propoz-lhe uma questãozinha magana: "Dr., o senhor, que é medico, entende muito de organismos vivos; por isso, diga-me se esta capivara é macha ou femea". "Oh! nada mais simples!" exclamou o dr., offendido pela insignificancia da consulta. E olha o bicho despreoccupado, depois