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boquiabertos. Os velhos nunca se queixam; mas sei que o proprietario, o major Claudino, não os deixa em completo socego. E՚ uns dez annos mais moço que Prospero. Foi este quem lhe deu a mão para começar a vida e continual-a; e tambem foi Claudino quem abocanhou os ultimos restos de sua fortuna, valendo-se de contas pouco comprehensiveis e de juros mysteriosamente intricados. Nessa epocha, como quizesse expulsar os velhos da fazenda, levantou essa descaridade tal clamor entre os conhecidos e parentes, que Claudino cedeu, a contragosto, deixando-lhes o usufructo da casa e de algumas braças de terreno. — "Estão velhos, pouco hão de durar", dizia para conformar-se. Mas os velhos resistem valentemente aos embates dos annos e Claudino com isso impacienta-se, diz impertinencias, reclama contra o descalabro crescente de tudo e quer leval-os para sua propria casa. Prospero limita-se a replicar sorrindo e sem levar a mal: "Tem paciencia, mano! Espera mais um pouco. Para o anno eu e a prima já estamos pescando mandys no rio da eternidade..." (A "prima” é siá Mar-