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GODOFREDO RANGEL

corrente arrufando-se em coivaras, ou um breve reflexo prateado numa entre-aberta das ramarias. E a estrada, sanguejante, com vincos de carros de bois e moldes de cascos de animaes, prolonga-se á minha frente, orlada de laçarias bambas de cipós florescidos. Em certo ponto, numa surpresa de colorido, surge uma sempre-lustrosa revestida de flores roxas, alto a baixo, tantas flores que não se lhe vê outra côr; e, no chão, onde roja as dobras da rica tunica, esgarça-se num rastro de petalas violaceas.

Nas vertentes o caminho abahula-se em facões. Não raro, ladeando a estrada, cruzes negras abrem os braços carcomidos; peciolos resequidos coroam o tope de uma ou outra, indicando que a creatura que alli tombou inda não está totalmente esquecida; e, achegadas aos seus pés, pia offerenda dos viandantes, morouços de pedras soltas.

Que alegre tintinabular me canta agora nos ouvidos? Que lyrico madrigal, cadente e argentino, vem carrilhonando estrada em fóra? Ah, é uma tro-