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GODOFREDO RANGEL

divagar muito longe do Minarete e do Cenaculo. Restrinjo-me ao sufficiente para termos já meio desvendado o segredo principal do seu encantamento. Alli não se lia só: vivia-se a leitura. Não se imitava: creava-se. Desprezavam-se as formulas. Odiavam-se os chavões. Era a plena independencia.

Affinidades de caracter havia entre todos, sem o que não seria possivel a vida em communhão. Uniformidade, porém, nenhuma, quanto aos gostos, ás tendencias intellectuaes e ao temperamento artistico de cada um.

Somme-se a isto a voluntaria segregação do publico, e eis integrados no Minarete os requisitos todos, favoraveis ao espontaneo desenvolvimento de individualidades que se consagravam ás artes literarias.

Com trabalho e talento, nada mais se precisa para o surto de escriptores que se chamem Lobato, J. A. Nogueira e Godofredo Rangel.

 

Está desfeita a magica. E o leitor, si não dormiu, achará que a sorte é mui-