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VIDA OCIOSA
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dencia. Forma-se, hoje, o artista para a arte e não esta para o artista, como no passado.

Bolchevismo esthetico?...

— Será. Mas engana-se quem prognostica, dahi, o arruinamento da arte pela anarchia e pela profanação.

Formar independentemente a individualidade do artista é obra, não arbitraria e tumultuosa como parece, mas muito mais difficil e inaccessivel aos profanos do que o ensino dogmatico de canones immutaveis, uniformes.

A selecção dos verdadeiros talentos torna-se mais vigorosa, em consequencia da propria supremacia que se ha de attribuir ao senso individual do artista na eleição dos seus processos.

 

Obra d՚arte sem personalidade, nasce morta. Só vivem, de facto, as que reflectem legitimamente a propria vida do artista. C՚est moy que je peinds, dizia o sabio e bom Montaigne; porque fóra deste preceito não ha mais que arremedos, artificios, falsificações...

 

Não fundamento a thése, para não