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GODOFREDO RANGEL

que são daquelle tempo, em parte, as Ideias de Jeca e as Cidades Mortas.

O nosso Rangel, por sua vez, escrevia contos. Já estudava as paysagens de Minas. Dizimava os "ques" superabundantes dos seus manuscriptos, e lia Zola.

Sei destas minucias porque de tudo isto me informa a collecção do "Minarete". Folguei quando á dizimação dos "ques" e ao antigo pendor de Rangel para os aspectos mineiros, que elle pinta como verá quem o ler. Mas o caso de Zola, pareceu-me grave, e confesso que era bastante para me suggerir duvidas sobre a arte de Rangel, si eu já não tivesse lido a Vida Ociosa. Felizmente encontro aqui um conceito que é seguro indicio do seu bom gosto: “monotono e repisado como uma pagina de Zola"... — diz elle de uma cachoeira, onde borbulham peixes. Ora, graças! Rangel lia Zola, mas repudiou Zola. Demais, a declaração não era indispensavel.

O estylo deste escriptor, as descripções, a linguagem, tudo se apresenta com tanta ordem, com tanta clareza e