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VIDA OCIOSA
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Tempo houve em que a leitura commum era o Tartarin. Sem que ninguem o premeditasse o Minarete, da noite para o dia, virou Tarascon e os muezzins, por uma transmigração de almas espontanea, encarnaram-se um por um, Ricardo no proprio Tartarin, Negreiros em Bompard, Rangel em Bézouquet, Lobato em Costecalde, e assim os outros.

O andar inferior, morada de burguezes profanos, ficou sendo Beaucaire, o burgo vizinho e desprezado.

Vinha o carteiro com um enveloppe garatujado, para o locatario de baixo: - "Não é aqui, senhor! E՚ em Beaucaire..." Encontravam-se dois do cenaculo, saudavam-se: - "Té, Bézouquet!... — Té, Bompard!...” — Certa vez o director do semanario encommendou artigo de fundo, cousa muito tesa, questão de derrubar a camara, sobre o problema da illuminação publica, ou antes, da escuridão. Candido Negreiros, incumbido da tarefa, saiu-se com uma "blague" de que nem Daudet se lembraria. Depois de verberar causticamente a desidia da vereança, que