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GODOFREDO RANGEL

Mostrei-lhes o interior da casa, a cozinha, onde o meu moleque queimava systematicamente o feijão, a horta afundada em hervas altas; depois levei-os ao escriptorio, onde accendi o fogareiro de alcool.

— O sr. tambem é meio cozinheiro, gracejou siá Marciana.

— E faço questão de que me conheçam a força.

Offereci-lhes cadeiras, nas quaes silenciosamente se sentaram. Notei algo de extranho em meus amigos. Raras phrases proferiam, como se os ganhasse uma grande preoccupação e, a miudo, trocavam olhares de intelligencia, que me intrigavam.

Notei ainda que o sr. Prospero vestia a sobrecasaca de grande gala. Muito deveriam ter-se alarmado as borboletas de minha porteira! Pronunciei algumas palavras para puxar palestra; ellas, porêm, congelaram-se no silencio dos tres. Trocaram, a esse ponto, novos olhares significativos.

Então o sr. Prospero levantou-se solenne.

— Americo, disse, dê-me os oculos,