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VIDA OCIOSA
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co tocava musicas de Wagner, ricas de estrepito. Desloquei a mola e elle começou. Primeiro foi um roncar surdo de tempestade que cresce; subito desencadearam-se trovões rolantes de mistura com guinchos inexprimiveis. Em seguida amainou e poz-se a piar e a ringir com um accento tão animal, que bulia nas fibras do coração. Foi nesse ponto que bateram palmas á porta.

— Sr. doutor, licença para tres! — exclamou uma voz de velha.

— Oh! que boa surpresa! — retruquei, correndo ao encontro dos meus amigos do Corrego Fundo.

Era a primeira vez que os via na cidade. Viviam tão comsigo e ilhados na sua pobreza, amavam tanto seus habitos tranquillos, que a novidade quasi me alarmou.

— Pois aqui estamos! disse o velho Prospero, entrando. E especialmente para ver o doutor.

Recebi-os jubiloso.

— Um homem solteiro morando sozinho num casarão destes! — admirou-se siá Marciana.