Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/247

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
VIDA OCIOSA
237

peixe. O ambiente tresanda a peixe podre. Ao andar, patinham os pés numa lama mucilaginosa de peixes esmagados. Nas mãos, nas vasilhas, aos montes na margem, ha o contorsionar epileptico de fórmas prateadas. Só se vè peixe e só se pensa em peixe. E՚ a lucta sem trégoas declarada aos pobres viajeiros. Onde os esquece o homem, caçam-n՚os siriemas, socós, marrecas, espécimens sem conto de parasitas do rio.

— Pode ser bello, mastiguei; mas monotono e repisado como uma descripção de Zola. Havendo satisfeito uma velha curiosidade, eis-me enfarado, com a saciedade da posse. Isto me confirma a commoda philosophia...

Está visto. Agora, rumo da cidade. Já míngua ao longe o trapejar da cachoeira. Desobstruidos daquelle som e daquella vista, meus sentidos se deixam impregnar da suavidade da hora. E՚ um dia precioso, tocado discretamente a ouro e repassado do perfume do assapeixe branco, cujos capulhos rescendem ás margens da estrada. Meu animal chouta intelligentemente. Já diviso, espapaçada e immensa, a fazenda da Paineira, que dormita no silencio