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GODOFREDO RANGEL

ria para colher gabirobinhas do campo, que rescendiam convidativamente da orla do caminho. O chão arenoso e declivado pouco empapara a agua cahida nos ultimos dias, que decorreram num chuveiro pertinaz. A aragem era fresca e, o sol, doce; e, contrastando a penumbra de meu prolongado encêrro, sorria-me a natureza o melhor de seus sorrisos.

Aqui e alli fugiam roscas do rio, que carregava aguas barrentas. A՚s suas margens multiplicara a vasante espraiados tranquillos, que scintillavam ao sol. Já audivel, o rumorejar da cachoeira encorpava-se a cada passo ávante; era uma cortina de sons que se erguia numa nesga do horizonte e que, em pouco, alastrando, ganhava todo o circuito da paisagem, estrondejando compactamente.

Metto-me por um trilho que se desgarra da estrada, em direitura da cachoeira. Cruzo pedestres, já de volta, com saccos e jacás atestados de peixe. Conversam gritando como surdos, para fazerem-se ouvir. Avisto por fim, constringidos entre paredões de rocha,