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GODOFREDO RANGEL

trever os dias vindouros. Tremeluziu-lhe outra vez na imaginação, numa fulgencia doce, a casinha materna. A velha, os irmãosinhos... Mas a fulgencia desbotou. Tantos annos de permeio! Invadiu-o de novo um tedio infinito. A vida pesava-lhe.

Cumpria, porêm, partir. Eugueu-se penosamente.

— Antão, adeus.

— Adeus, Lourenço.

A custo deslocou a perna enferma, buscando a porta. A inchação, aggravando-se, punha-o oppresso. Era um mal estar, um sibilo no peito... A՚ soleira, defendendo a vista, sondou a estrada, assumptando concentradamente, como se sondasse o futuro. Lonjuras infinitas, sol escaldante, o impreciso alem...

— Adeus, repetiu.

— Adeus, Lourenço.

Guardou o cachimbo, retomou a trouxa e o bordão, e afastou-se, trôpego, paciente, rebocando a custo a perna enferma, como um casco desarvorado, sem rumo, toando ao léo...