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VIDA OCIOSA
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— Vacê, tome café.

Frederica apresentou-lhe uma tigela fumante. Para si aparou noutra vasilha, sob o bico do coador suspenso da parede. Beberam. Ouvia-se no silencio o gluglutar espaçado dos goles. De longe vinha vozearia de creanças, garrulando.

Lourenço depoz a tigela e reatiçou o cachimbo.

Trinta annos! Os irmãos pequeninos, que via como um bando trefego a derriçar pitangueiras, estavam já homens maduros. Talvez nem todos fossem vivos. E a pobre mãe, que deixara de cabellos algodoando-se de velhice... Mas onde quer que houvesse farrapos do passado, cumpria ir recolhel-os, em romaria piedosa, para ver se do acervo esparso reconstituiria um simulácro de vida. Era alheio aquelle lar onde pensara repousar, apenas soffrendo em retrospecto mental as canseiras sentidas; nelle não podia acolher-se. Era vomitado dalli como o fôra da prisão, em cujo vegetar achava mais suavidade, que naquelle jornadear sem paradeiro. Era mistér seguir ávante. Procurou en-