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VIDA OCIOSA
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soltar mais prestes os folhellos, exulando-os ao vento em revoada, ao rythmo do seu desejo, para soltar o amigo. Depois a despedida: não houve prantos, mas intima agonia rebuçada de phrases vulgares. "Você sabe, aqui um criado para o servir". "Disponha, sem cerimonia". "Até um dia!"

E ahi começara a odysséa do preso, a angustiosa freima com que tentava recolher os restos do passado, para com elles recompor sua existencia mutilada.

Primeiro a Frederica. Vagara de déo em déo recolhendo noticias. Tudo vago. "Leguas alem..." E, sublinhando esse vago, as mãos acenavam mollemente, significando distancias sem fim. Felizmente havia economias. Com parcimonia nos gastos poderia correr muitas terras. E, ademais, tinha pernas. Meio inchado, e perro, o andar muito talvez lhe destravasse as juntas e adelgaçasse a compleição. Provavelmente não seria logo — um mal andado em annos, levaria outros tantos a desandar. Era tambem um modo de desforrar-se da clausura. E mettera-se longanime pelas estradas. Mesmo pequena,