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GODOFREDO RANGEL

Chegando do fundo, Frederica assoma á porta.

— Boas tardes.

— Boas tardes.

Ella entreabre a cancella e espera, de pé, no limiar. Elle observa-a em silencio. O silencio demora-se. Por fim rompe-o:

— Vacê é a Frederica?

— Sou.

— Eu sou o Lourenço.

Recae o silencio. Observam-se longamente.

— Entra.

Frederica escancara a cancella, dando-lhe passagem.

— Senta.

Apresenta-lhe uma tripeça, indo accommodar-se no tóro do pilão. Continuam a observar-se mudamente. Ella, primeiro, quebra a mudez:

— Antão vacê é o Lourenço?

— Sou.

O sentenciado atiça o fogo do cachimbo e recomeça a baforar. Seu pensamento tambem bafora, em visões esparsas. Era a mesma necessidade de relançar, ao cabo da jornada, o caminho feito. Sentia uma grande calma, o seda-