Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/211

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada

O sentenciado Lourenço

 

A vastidão dos campos sem veios d՚agua, dera-me sêde. Avistei um rancho á beira da estrada. Defrontando a porta, defendida por um cancello, gritei pelos moradores. No mesmo instante vi agitar-se no commodo da entrada, que tambem servia de cozinha, uma mulata obesa e velhusca.

— Um pouco d՚agua, faça favor?

Trouxe-m՚a numa cuia, pedindo desculpas: casa de pobre...

Regalei-me com a frescura nevada da bebida.

Nesse momento uma voz de homem chamou da horta:

— Frederica!

Frederica! Este nome lembrou-me o sentenciado Lourenço, que matara um homem por ciumes. Aquelle escombro de gente, aquellas roscas de toucinho velho com figura humana, aquella creatura fôra a fatal inspiradora do gesto homicida, no frescor de seus de-