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VIDA OCIOSA
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Ao que o outro respondia:

— Pobre amigo! Sua paciencia raia pelo grandioso. Está ahi um caso desses heroismos obscuros, mas nem por isso menos meritorios, que a fama não celebra. Continue a soffrer paciente, bom amigo!

Algum tempo depois as consolações do outro pareceram-me semsaboronas, e meu estoicismo improficuo. Então refundi os dois personagens e busquei lembrar os conselhos do velho, gritados á partida. Mas nada me acudia. Eu tivera preguiça de escutar. E esses conhecimentos agora me seriam uteis, para conseguir a reversibilidade do trote em cadencia mais acceitavel. Pelos modos, os bichos dessa especie sabem varias maneiras de andar, escolhiveis à la carte. Faltava-me somente um meio de correspondencia. Era o diabo! Procurei, então, recurso, na caixa das idéas. Era homem de luzes, tinha obrigação de saber. Revolvi o mofo dos velhos preparatorios, evoquei o capitulo dos pachydermes, pedi auxilio á historia dos cavallos celebres: nada que me valesse naquella conjunctura! Nem o