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na lama peganhenta. Detenho-me rente a uma cerca, observando uma moita de taiobas folhudas, constelladas de perolas d՚agua. A intervallos uma gotticula corre sobre os folhões e perde-se como estrella cadente — um risco de prata e sumiu-se. Muitas vão engrossar outras perolas, que hesitam bamboantes, limpidas, na superficie glauca.
Desprendo-me dessa vista e continúo, meio arrependido, o meu caminho. Dia pessimo para uma excursão! o serviço largado, o lameiral extenso, chuva á tarde, provavelmente... Meus pensamentos levam-me para traz mas as pernas instinctivamente avançam.
Hoje não ha cigarras. Provavelmente tiritam, sob o abrigo de uma folha, não se sentindo de veia para a musica azoinante. Parafusam, por ventura, sobre o caso da formiga. Má cousa, a imprevisão! Agora que o sol não as embriaga, philosopham, fazem exame de consciencia e juram tomar rumo mais sensato. Entreluza, porêm, o primeiro raio de ouro, e as tontinhas, esquecidas dos protestos, serão todas para a luz e para o céo, numa generaliza-