Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/189
A cadellinha fareja os restos, toma os ventos á roda, ensaia, affirma, e despede no cheiro da onça. Livre da trélla, a canzoada emenda após ella, em festiva alarida. Mal os seguem os caçadores. A féra está farta, pesada do cêvo, venceu de certo pouca distancia. Mesmo assim, adentram-se muito na floresta, é um andar sem tregoas o dia todo. A tardinha a cachorrada assanha-se ao longe. Os caçadores precipitam-se, "estumando-a" aos brados. Ganindo alto alguns cães retornam, fundamente alanhados das presas felinas. A՚ sua chegada, a onça, que ainda não trepou, embrenha-se para mais alem, salvando pirambeiras e barrocaes impérvios. Como cae a noite, é tarde para rodearem caminho até ella. Chamam a Pirata e reunem o resto da matilha. Houve dois cães de menos, que acham nas vizinhanças, ventres abertos alto a baixo, entornando os intestinos molles pela fenda. Mau começo... Os camaradas armam rancho, onde todos pernoitam. Não vinham preparados para tanta demora; mas o espirito de aventura tinha-se-lhes atiçoado de tal sorte, que,