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GODOFREDO RANGEL

da, tapando o azul. Na meia luz diffusa do bojo da matta, a corrente sombria colleava em meandros as aguas rebalsadas, que apenas esboçavam em seu espelho torvo os zig-zagueantes elances das cordoalhas de cipós monstruosos, que se atiram em fugas loucas de rama em rama, espirrando de si esguichos de folhas tenras, e embalaçando-se em sanefas emmaranhadas sobre o veio dormente. Havia alli echos claustraes, extranhas sonoridades de nave deserta, que se fizeram hoje no flébil marulho das aguas murmurillantes ao sol. A caça abundava. Onças vinham urrar á noite ás portas dos curraes. Certa vez appareceu morta no Fundão uma novilha, victima de uma pintada. Felicio, exhaustinado de raiva, reuniu caçadores e camaradas para encalçar a féra. Os cachorreiros ajoujaram uma duzia de cães escolhidos d՚entre o melhor em varias fazendas. Promptos para a batida, Felicio guiou a matilha ao sitio onde se achava o corpo da novilha; e ahi disse á Pirata, apontando a "carniça":

— Mataram minha novilha, Pirata! Descubra quem fez isso, Pirata!