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Pirata

 

Fechou-se a noite. Das margens empantanadas do rio sobe confusa vozearia de batrachios. Ha o tan-tan dos tanoeiros, encambulhado com silvos, grulhos, coaxos, ladridos de matilha solta respondendo-se de ponta a ponta dos atascadeiros, regougos graves, espaçados — vozes de experiencia e ponderação — guinchos, grunhidos, timbres innominaveis, bufidos extranhos, onomatopéas barbaras de todas as vozes animadas. E se se busca divisar, nos almargeaes alagados, as manadas sem numero de bestas apocalypticas, que em tal soada povoam os echos da noite, apenas se entrevê, fuscamente allumiado ao pallor do luar nevoento, o nivel palustre deserto e immoto, adormecido na calma da noite. Longe em longe vem da matta virgem um ulular soturno, voz de mysterio que coa nos nervos um arrepio de pavor. E՚ a vida nocturna que começa. Insulada a fazenda