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GODOFREDO RANGEL

Perras de movimento as mulatas puzeram-se em pé, gemendo a preguiça.

— Bem, vacês até outro dia.

Despediram-se de um em um.

Pela porta que lhes deu sahida entrou uma aragem fresca e a pallidez do dia ennevoado. Abertas todas as portadas, a casa alegrou-se com a suave claridade exterior. Frouxeis de nuvens brancas tapetavam docemente o céo. Ouvia-se ainda um murmurejar de aguas remotas, perdidas ao longe. Escasqueada a paisagem de seu tisne poento, todas as côres se fixaram, lavadas, nitidas. O proprio som tinha um timbre mais claro e musical. Da terra, emfim saciada, brotava como um sorriso esparso, que cascalhava, argentino, nas surriadas dos caracarás pousados num sassafraz fronteiro, sorriso feito em frescor na aragem, em brando frêmito nos pendões pennugentos dos campos e em alvura cariciosa nas lentas vaporações que já despegavam do solo, acamando-se maciamente nos refolhos dos valles.