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VIDA OCIOSA
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da, a sra. sabe, passa bom e passa rúim. Desde que fui p՚r՚aquella casa não tive um dia de alegria. Nem a gente pode crear. Tenho uma paixão quando gavião come um pintinho meu, e lá já comeram oito, só esta sumana. E não combino com o novo patrão. Assim, a sra. vê ― meu homem na cama, entregue, e elle passa p՚r՚a lá e p՚r՚a cá e não vae lá nem uma vez perguntar se morreu, se viveu.

E ainda insolencias, "ridiquices"...

— Mamãe, quero agua... — choramigou a pequenita.

— Fica quéta, coisa rúim! — ralhou a papuda, com um repellão. Tu não qué agua nenhum.

— Vou buscar, nenen... espere!

E siá Marciana, tomando um copo, apressou-se para o, pote. Destapou e tirou agua com a caneca de borda repicada e cintada de furinhos sob as pontas — precaução para o asseio da bebida.

Mas o tempo estiara. Só se ouvia o pingar lento das abas do telhado e o rumor distante da enxurrada decrescida, afastando-se.