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GODOFREDO RANGEL

Siá Marciana, de rosto quasi encoberto pelo chapeirão de palha desabado, tirou do cesto piriforme um peixe de palmo:

— Não caçôe, que aqui trago uni dourado legitimo. Mas filhote muito novo.

A pesca fôra má, explicou Prospero. Talvez por que o ceveiro estivesse rondado por algum pirata dos poços profundos. Por seguro, lá ficara um anzol, iscado com lambary vivo.

— E que seria esse pirata? indaguei.

— Talvez um dourado dos grandes, que breve terá o Americo que desenhar na parede. Não se trata, Deus louvado, do minhocão ou do boi d՚agua — sorriu o velho.

Disse-me do primeiro, que é crença ser enorme serpente que solapa as ribanceiras, mudando o curso aos rios; e muitos supersticiosos juravam já ter visto o boi d՚agua, monstro que ama espapaçar-se ao sól, fazendo seu pouso em lagedos ilhados no meio das correntes profundas; em avistando alguem, atufa-se no abysmo; a agua ca-