Página:Vida Ociosa (2ª edição).pdf/17
Rangel não quer prefacio, que não precisa de prefacio.
Eis aqui um conhecimento certo, baseado em facto historico positivo, em ponto da psychologia do autor não menos indubitavel.
O estudante de direito que fundou o Minarete, ha quinze annos, não pode admittir prefacios hoje, embora, como elle conta, esteja "bacharel e juiz num termo sertanejo".
Pois, o que é um prefacio?
— E՚ isto. Chega o autor deante do publico, e offerece-lhe o livro, que acabou de escrever.
O gesto está dizendo o que não é preciso dizer: — "Ora, leiam-no, e vejam lá que tal." — Eis, porém, que, entre leitor e livro, interpõe-se um sujeito grave, com ares de maioral das letras, sabedor de cousas, influente no publico e providencia dos novos, com esta fala inaugural: — "Meus senhores. Vossos applausos são preciosos e eu orgulho-me de os ter grangeado, graças ao engenho que me conheceis. Conhecei-me tambem agora a generosidade.