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GODOFREDO RANGEL

nos-iam dourados espadanejantes a abrir nagua remoinhos espumosos, reagindo á tracção da corda. Obrigassem-n՚os, porêm, a tomar do anzol para provar com feitos a parolagem, garanto que somente ajuntariam numa farpa de capim meia duzia de pratinhas anemicos, do porte de um dedo minguinho.

De pé quedo, e sorrindo, ouviram os velhos o estirado discurso.

— De certo que o peixe não vem quando se quer, disse Prospero; mas ha dias felizes, e então o extraordinario visita-nos. — Diga-me: já viu peixes subir cachoeira, aos milhares, aos milhões?

— Falaram-me nisso, respondi, sceptico.

— Pois, quando as aguas crescerem mais um pouco, vou obrigal-o a dar um passeio a umas tres leguas d՚aqui, para presenciar um pouco de maravilhoso.

— Tres leguas! exclamei horrori- zado. E՚ como disse: ou fica muito longe ou foi ha muito tempo...

— Ha de ir longe uma vez na vi-